Carnaval de rua no Rio tem número recorde de blocos inscritos

O carnaval de rua do Rio de Janeiro em 2026 caminha para ser um dos mais grandiosos das últimas décadas, impulsionado por um número recorde de blocos inscritos e por mudanças nas regras que tendem a facilitar a vida das agremiações. Desde 15 de agosto de 2025, a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur) recebeu 803 pedidos de credenciamento para desfiles de rua, todos em processo totalmente online. A estimativa inicial da prefeitura é autorizar 465 blocos a ocupar oficialmente as ruas cariocas, em um calendário que se estenderá de 17 de janeiro a 22 de fevereiro, com o carnaval caindo nos dias 14, 15, 16 e 17 de fevereiro.

O crescimento em relação ao ano anterior é evidente. Para o carnaval de 2025, 685 blocos solicitaram credenciamento e 482 foram autorizados, mas apenas 444 chegaram efetivamente a desfilar após 38 cancelamentos ao longo do período festivo. Mesmo com essas desistências, já se percebia uma tendência de retomada da folia de rua. Em 2026, além do recorde de inscrições, 35 blocos desfilarão pela primeira vez, sinal de renovação e de maior interesse de grupos que antes se mantinham à margem da estrutura oficial.

A distribuição dos desfiles mostra que a festa continua pulverizada pela cidade, ainda que com forte concentração em áreas tradicionais. Estão previstos 135 desfiles no centro, 100 na zona sul, 63 na Grande Tijuca, 56 na zona norte, 46 na zona oeste, 37 nas ilhas do Governador e de Paquetá, 12 em Jacarepaguá e 16 na Barra da Tijuca, Recreio e Vargens. O centro segue como grande vitrine do carnaval de rua, recebendo desde blocos de bairro até megablocos com forte apelo midiático e patrocínios robustos, enquanto bairros residenciais e regiões periféricas ganham espaço na tentativa de descentralizar a folia e reduzir a superlotação em áreas mais turísticas.

Um dos grandes destaques da programação é o Circuito Preta Gil, área destinada aos megablocos e que ocupa trechos da Avenida Presidente Antônio Carlos e da Rua Primeiro de Março, no centro. Esse circuito concentrará alguns dos blocos de maior público, como Cordão da Bola Preta, Fervo da Lud, Bloco da Anitta, Bloco da Favorita, Monobloco, Chá da Alice, Bloco da Lexa, SeráQAbre? e Bloco da Gold. A principal novidade deste ano é a entrada do Cordão do Boitatá, tradicional bloco de chão, que pela primeira vez integrará o trajeto dos megablocos após um acordo com a prefeitura para adequação do seu circuito.

O nome do circuito é uma homenagem à cantora Preta Gil, filha do compositor, cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que morreu em julho do ano passado, após dois anos e meio de luta contra um câncer de intestino. A decisão, tomada pelo prefeito Eduardo Paes, associa a grande vitrine do carnaval de rua carioca à memória de uma artista diretamente ligada à história recente da festa e à cena musical brasileira. As datas exatas dos desfiles dos megablocos nesse circuito ainda não foram divulgadas pela Riotur.

Nos bastidores da organização, o aumento de blocos interessados em se oficializar é comemorado por quem acompanha de perto a evolução do carnaval de rua carioca. A presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro do Rio de Janeiro (Sebastiana), Rita Fernandes, destaca que cresceu o número de pedidos de credenciamento em relação ao ano passado, inclusive de blocos que costumavam desfilar de forma não oficial e sem diálogo com o poder público. Segundo ela, a publicação de um edital de fomento para blocos de rua pela prefeitura tem sido um fator decisivo nesse movimento, já que o acesso a recursos financeiros exige que as agremiações estejam oficialmente cadastradas e regularizadas.

Rita também aponta que, ao contrário do que se chegou a temer em alguns setores, não houve redução do número de blocos interessados em desfilar. A combinação de incentivos financeiros e regras mais simples para agremiações de menor porte tende a fortalecer o circuito de rua. Blocos que não utilizam grandes estruturas, como trios elétricos, palcos ou arquibancadas, passaram a lidar com menos exigências burocráticas, o que reduz custos e facilita a permanência de grupos tradicionais de bairro. Já aqueles que operam com grandes estruturas seguem submetidos às normas de segurança, em articulação com órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil, dentro de um modelo de licenciamento que busca compatibilizar a dimensão popular da festa com requisitos mínimos de segurança.

A expectativa é de que o calendário estendido, que abrange pré-carnaval, dias oficiais e pós-carnaval, movimente milhões de pessoas pelas ruas e injete recursos significativos na economia da cidade, especialmente nos setores de turismo, hotelaria, alimentação e serviços. Ao mesmo tempo, o recorde de inscrições coloca novos desafios logísticos para a prefeitura e para a Riotur, que precisam conciliar interesses de moradores, comerciantes, blocos, patrocinadores e foliões em uma malha urbana já marcada por problemas de mobilidade e infraestrutura. Mesmo antes da divulgação oficial da lista de blocos autorizados, prevista para o dia 15, a folia de 2026 já se desenha como um grande teste da capacidade do Rio de Janeiro de conciliar tradição, expansão e organização em seu carnaval de rua.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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