Polícia Federal deflagra nova fase da Operação Overclean

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira a nona fase da Operação Overclean, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa acusada de desviar recursos públicos de emendas parlamentares, praticar corrupção e lavagem de dinheiro. Nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, estão sendo cumpridos na Bahia e no Distrito Federal, com o deputado federal Félix Mendonça Júnior, do PDT baiano, como principal alvo das ações, que atingem seu apartamento funcional em Brasília, residência em Salvador, casa de praia e escritório parlamentar na capital baiana.

O STF determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, visando interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicos. As apurações apontam que o parlamentar atuou ativamente no esquema, extrapolando a mera alocação de emendas: ele se valia de seu então secretário parlamentar, Marcelo Chaves Gomes, que atuava como seu longa manus para negociar destinações de verbas a municípios baianos, como Boquira, Ibipitanga e Paratinga, cobrar propinas de prefeitos beneficiados e organizar o repasse desses valores, recebendo pagamentos diretos e indiretos, inclusive em espécie por empresários como Evandro Baldino do Nascimento. Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Iniciada em 10 de dezembro de 2024, a Overclean revelou um esquema que direcionava emendas e convênios para empresas ligadas a prefeituras baianas, com superfaturamento em obras de engenharia e limpeza, emendas Pix e movimentação de cerca de R$ 1,4 bilhão. Na primeira fase, 59 mandados foram executados, 16 pessoas presas e oito servidores afastados, incluindo casos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, na Bahia. Policiais facilitavam o grupo ao vazar informações sobre diligências sigilosas, e a operação contou com apoio da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna.

Nas fases seguintes, as investigações se aprofundaram. Em junho de 2025, a quarta etapa afastou dois prefeitos baianos, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, de Ibipitanga, e Alan Machado, de Boquira, por desvios de emendas; na ocasião, Marcelo Chaves Gomes foi alvo como operador financeiro. A quinta fase, em julho, mirou manipulações em licitações no município de Campo Formoso, com tentativas de obstrução e bloqueio de R$ 85,7 milhões pelo STF. A sétima, em 16 de outubro, resultou no afastamento de um agente público, com buscas em Riacho de Santana, Wenceslau Guimarães, na Bahia, e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Já a oitava, no fim de outubro, cumpriu cinco mandados em Brasília, São Paulo, Palmas e Gurupi, no Tocantins.

Ao longo da operação, bloqueios judiciais superaram R$ 100 milhões, com apreensões de dinheiro e análise de contratos suspeitos. As investigações prosseguem no STF, devido ao foro privilegiado de autoridades envolvidas, para mapear operadores financeiros e a extensão total do esquema que manipulava licitações, usava empresas de fachada e simulava operações para ocultar propinas oriundas do Orçamento da União.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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