Lula conversa com Putin sobre Venezuela pós ataques dos EUA

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, realizaram uma conversa telefônica nesta quarta-feira, com foco principal na situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro por militares americanos.

A iniciativa partiu do lado brasileiro, e os líderes manifestaram preocupação com os desdobramentos na América do Sul. Segundo nota oficial do Palácio do Planalto, eles reiteraram a importância de que a América do Sul e o Caribe permaneçam como zonas de paz, defendendo o papel dos países do BRICS no fortalecimento das instituições de governança global, especialmente as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança. O Kremlin, em comunicado próprio, destacou que os presidentes trocaram opiniões sobre questões internacionais atuais, com ênfase na Venezuela, enfatizando abordagens compartilhadas para garantir a soberania estatal e os interesses nacionais da República Bolivariana.

Ambos concordaram em coordenar esforços para reduzir tensões na América Latina e em outras regiões, inclusive por meio da ONU e do BRICS. Os líderes criticaram a ação dos Estados Unidos como uma violação grave do direito internacional, representando uma afronta à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a comunidade internacional, onde a lei do mais forte poderia prevalecer sobre o multilateralismo.

Na conversa, também foi abordada a 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil-Rússia (CAN), marcada para 5 de fevereiro em Brasília. Os presidentes viram no encontro uma oportunidade para impulsionar áreas prioritárias como comércio, agricultura, defesa, energia, ciência e tecnologia, educação e cultura. A pedido de Lula, Putin comprometeu-se a enviar uma delegação de alto nível para participação presencial.

A ligação ocorre 11 dias após a operação americana em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York para julgamento. A Rússia já havia condenado o ato como agressão armada, enquanto Lula afirmou que a ação ultrapassou os limites do aceitável, cobrando resposta da ONU.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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