Donald Trump confirmou nesta terça-feira (20 de janeiro) que convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o Conselho da Paz, uma estrutura internacional criada para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. “Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”, afirmou o presidente norte-americano durante coletiva de imprensa que marcou o primeiro ano de seu segundo mandato.
O Conselho da Paz é presidido por Trump e funciona como órgão de supervisão do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), responsável pela reconstrução do enclave palestino que foi praticamente destruído pelas forças militares de Israel, com mais de 68 mil mortos. O conselho faz parte da segunda fase do plano de paz para Gaza, assinado em outubro do ano passado sob mediação dos Estados Unidos, que viabilizou um suposto cessar-fogo, apesar de relatos contínuos de bombardeios e tiroteios.
A iniciativa envolve uma estrutura complexa de governança internacional. O grupo que governará Gaza inclui o enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff; o secretário de Estado, Marco Rubio; o genro do presidente, Jared Kushner; e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, entre outros. Um segundo comitê executivo também está sendo formado com autoridades tecnocráticas da Turquia e Catar. Nenhum líder palestino foi indicado até o momento para compor essas estruturas de governança.
Lula não é o único líder internacional convidado. O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, também receberam convites similares, assim como líderes da Turquia, Europa e Egito. Até o momento, o Palácio do Planalto não sinalizou se Lula aceitará o convite, embora fontes do Ministério das Relações Exteriores tenham confirmado o recebimento do convite no último fim de semana via Embaixada do Brasil em Washington.
Segundo informações da Bloomberg, o governo norte-americano estaria pedindo US$ 1 bilhão para que países convidados garantissem assento permanente no colegiado. A cobrança foi negada pela Casa Branca. A proposta inicial prevê que integrantes do órgão exercerão um mandato de três anos, ou poderão ter cargos vitalícios caso paguem o valor mencionado.
O anúncio gerou críticas. O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu criticou a iniciativa, afirmando que o comitê executivo “não foi coordenado com Israel e contraria a política do país”. Lula também criticou Trump, questionando durante discurso no Rio Grande do Sul a governança via redes sociais. “Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, perguntou o presidente brasileiro, argumentando que o líder norte-americano publica constantemente posições que geram repercussão global.
