# Liquidação do Will Bank: texto revisado
O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master, que opera sob Regime Especial de Administração Temporária desde a liquidação do banco controlador em novembro de 2025.
A medida interrompe imediatamente as atividades da financeira, afasta seus administradores e nomeia um liquidante para apurar ativos, passivos e irregularidades, além de conduzir os pagamentos aos credores conforme a ordem legal prevista na Lei 6.024/74. Entre as ações determinadas, está a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores. O conglomerado Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
Inicialmente, o Banco Central optou por uma solução intermediária ao impor o RAET após a liquidação do Banco Master, com objetivo de preservar o funcionamento da Will Financeira e explorar possibilidades de venda junto a potenciais compradores. No entanto, essa estratégia se mostrou inviável. Em 19 de janeiro, foi constatado o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo da Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, resultando no bloqueio de sua participação nesse sistema. Essa falha, somada ao comprometimento da situação econômico-financeira, à insolvência e ao vínculo de controle com o Banco Master, tornou a liquidação inevitável para proteger a estabilidade do sistema financeiro.
O conglomerado, liderado pelo Banco Master e controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, cresceu rapidamente oferecendo Certificados de Depósitos Bancários com rentabilidades acima da média de mercado, atraindo clientes especialmente de baixa renda por meio do Will Bank, focado em serviços digitais. Para sustentar esse modelo, a instituição assumiu riscos excessivos, estruturou operações que inflavam artificialmente o balanço e viu sua liquidez real deteriorar-se significativamente.
Investigações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central revelam que o colapso vai além do financeiro, configurando um problema institucional grave. Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações: recursos eram emprestados a empresas supostamente laranja, que os aplicavam em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina, por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag como suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.
Para os clientes do Will Bank, as contas correntes, de pagamento, transferências e cartões estão bloqueados, com saldos integrando o passivo da instituição. CDBs e outros títulos entram no processo de liquidação, protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo principal e rendimentos até a data da intervenção. Títulos emitidos até 30 de agosto de 2024 permitem cobertura separada para Will e Master, totalizando até R$ 500 mil; a partir de 2 de setembro, o limite é compartilhado como mesmo conglomerado. O FGC deve iniciar ressarcimentos em cerca de 30 dias via aplicativo oficial para pessoas físicas ou portal para empresas, com atualização pela Taxa Referencial. Valores acima do teto viram créditos residuais, com recuperação incerta e demorada.
