Banco Will: entenda como funciona a liquidação e os impactos da medida

A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, marca o desfecho de uma crise que já havia consumido o Banco Master em novembro de 2025. As duas instituições, parte do mesmo conglomerado financeiro, expõem vulnerabilidades em um modelo de crescimento acelerado baseado em riscos elevados e operações questionáveis.

Após a liquidação do Banco Master, o Will Bank, braço digital voltado principalmente para consumidores de baixa renda no Nordeste, foi colocado sob regime especial de administração temporária. O Banco Central assumiu o controle com a intenção de preservar suas operações e buscar uma solução como a venda a um novo investidor. No entanto, a deterioração financeira se agravou, com passivos crescentes e falhas operacionais graves. O gatilho final veio quando o Will descumpriu compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard, resultando no bloqueio de sua participação na rede e na suspensão imediata dos cartões para compras físicas e online. Essa insolvência, somada ao vínculo direto com o Master já liquidado, tornou a medida inevitável, conforme avaliação oficial do regulador.

A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo exclusivo do Banco Central para encerrar de forma organizada instituições em crise irreversível, como insolvência, descumprimento de normas ou gestão temerária. Diferente da falência, ela prioriza a proteção ao sistema financeiro, depositantes e credores, interrompendo operações como contas, transferências e novos contratos. Um liquidante foi nomeado para inventariar bens, dívidas e créditos, vender ativos e pagar credores pela ordem legal.

Para os cerca de 12 milhões de clientes do Will Bank, o acesso a serviços foi cortado imediatamente. Saldos em contas viraram créditos no processo de liquidação, com ressarcimento dependendo dos ativos disponíveis. Depósitos e investimentos elegíveis, como poupança, CDB, RDB, LCI e LCA, contam com o Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição. No caso do conglomerado Master, o FGC já desembolsa R$ 40,6 bilhões para 800 mil investidores do banco principal, com impacto total estimado em R$ 46,9 bilhões. Para o Will, a previsão é de cerca de R$ 6,3 bilhões em pagamentos. Dívidas de clientes, como empréstimos e financiamentos, permanecem válidas, agora geridas pelo liquidante. Bens de controladores e ex-administradores, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, foram bloqueados para apuração de responsabilidades.

O colapso do conglomerado, que detinha 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional, revelou padrão de CDBs com rentabilidades acima da média, sustentados por riscos excessivos e operações questionáveis. Investigações apontam desvios de cerca de R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024. Tentativas de venda, como ao BRB, fracassaram, e o caso soma seis liquidações ligadas ao Master desde novembro.

Clientes devem reunir documentos como extratos e contratos, monitorar apenas canais oficiais do Banco Central, liquidante e FGC, e evitar golpes, pois o fundo não cobra taxas.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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