Trump lança em Davos Conselho de Paz criado por ele

Donald Trump lançou oficialmente nesta quinta-feira (22 de janeiro) seu Conselho de Paz durante o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, com o objetivo de supervisionar a paz e a reconstrução da Faixa de Gaza. A estrutura foi criada como parte da segunda fase de um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos e assinado por Israel e pelo Hamas em outubro de 2025.

Segundo Trump, cerca de 60 lideranças mundiais foram convidadas para participar do órgão. Oficialmente, oito países confirmaram sua adesão ao conselho: Paquistão, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Turquia, Arábia Saudita e Catar, através de seus ministros das Relações Exteriores. Vários países ainda não responderam ao convite, incluindo o Brasil, cujo presidente Luiz Inácio Lula da Silva está analisando a participação e deverá responder na semana seguinte. Noruega, Suécia, França, Eslovênia e Reino Unido já anunciaram sua recusa em participar do grupo.

O conselho terá um papel consultivo e assessorará o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um comitê palestino tecnocrático e apolítico que iniciou seus trabalhos no Cairo sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath. De acordo com a estrutura do conselho, Trump mantém o mandato vitalício como presidente do grupo com amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão, valor que será administrado exclusivamente pelo presidente dos Estados Unidos.

O objetivo declarado do conselho é consolidar um cessar-fogo permanente, apoiar a reconstrução de Gaza e promover uma paz justa e duradoura baseada no direito dos palestinos à autodeterminação e à soberania, de acordo com o direito internacional. A proposta também prevê que Gaza funcione como uma zona livre de grupos armados, com a remoção de aproximadamente 2 milhões de palestinos para terras vizinhas e a limpeza de mais de 50 milhões de toneladas de detritos e munições não detonadas.

Trump afirmou em Davos que “todo mundo quer fazer parte do Conselho de Paz” e chamou-o de “o maior e mais prestigioso comitê já reunido”. Ele criticou as Nações Unidas, afirmando que seu conselho atuará onde instituições internacionais falharam, e declarou que quando o grupo estiver completamente formado, “poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos”.

A proposta recebeu críticas significativas da comunidade internacional. Diplomatas e analistas expressam preocupação com a centralização do poder nas mãos de Trump, a ausência de representantes palestinos e da Autoridade Palestina, e a criação de um centro decisório paralelo fora da alçada da ONU. O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que a composição do conselho não foi coordenada com Israel e contradiz sua política, possivelmente em reação ao envolvimento da Turquia. Críticos também argumentam que o modelo remete a uma lógica colonialista, com um presidente americano supervisionando um território estrangeiro.

O Conselho de Paz funcionará em conjunto com um Conselho Executivo de Gaza composto por autoridades da Turquia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos e membros do conselho fundador, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Também fará parte da estrutura uma Força Internacional de Estabilização, braço militar do plano que será comandado por um major-general do Exército americano. A proposta é vista com receio por vários países, particularmente pelo Brasil, onde gera dilema entre manter o discurso histórico de defesa do multilateralismo e evitar tensionar as relações com os Estados Unidos em um momento sensível da política internacional.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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