Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, abriga nesta sexta-feira a primeira reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos desde a invasão russa em 2022, com foco principal no controle de territórios no leste ucraniano, especialmente a região do Donbass, que inclui Donetsk e Luhansk.
O encontro foi confirmado na madrugada de hoje, após conversas no Kremlin entre o presidente russo Vladimir Putin, o enviado especial dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump. Segundo o conselheiro diplomático russo Yuri Ushakov, as discussões em Moscou foram úteis em todos os aspectos e resultaram no acordo para a primeira sessão de um grupo de trabalho sobre questões de segurança. Ushakov alertou que, sem resolver a questão territorial, não se pode esperar um acordo de longo prazo, e que a Rússia manterá a pressão no campo de batalha, onde as Forças Armadas russas detêm a iniciativa estratégica, até alcançar um entendimento.
Detalhes das negociações trilaterais não foram divulgados, nem se autoridades russas e ucranianas se encontrarão pessoalmente na mesma sala, mas o tema central é a controversa exigência russa de concessões territoriais. A delegação russa, composta apenas por representantes do Ministério da Defesa e liderada pelo general Igor Kostyukov, do Estado-Maior, já se deslocou para o local. Pela Ucrânia, participam o secretário do Conselho de Segurança Rustem Umerov, o chefe de gabinete Kyrylo Budanov, o vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia e o chefe do Estado-Maior general Andriy Gnatov.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que a questão do Donbass é fundamental e será discutida pelas delegações neste fim de semana. Em entrevista recente, ele reiterou que um acordo sobre garantias de segurança com os Estados Unidos está praticamente pronto, dependendo apenas da definição de data e local por Donald Trump, com menções a defesa aérea e cooperação econômica para a recuperação pós-guerra. Zelensky descreveu como positivo, mas não simples, o diálogo com Trump em Davos na quinta-feira, que resultou nesse acordo sobre garantias para dissuadir novos ataques russos.
Na mesma ocasião em Davos, Zelensky criticou os aliados europeus por uma Europa fragmentada e perdida na influência sobre as posições americanas e na falta de vontade política de Putin. Ele enfatizou que nenhuma garantia de segurança funciona sem os Estados Unidos, cujo apoio é indispensável. As negociações em Abu Dhabi representam um passo inédito, impulsionado pelos esforços de Trump para encerrar o conflito, embora o obstáculo territorial permaneça como o principal entrave para um cessar-fogo duradouro.
