Oposição no DF pede impeachment de Ibaneis após citação por Vorcaro

Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram nesta sexta-feira dois pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, do MDB, após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em investigações sobre a tentativa frustrada de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).

Os documentos foram apresentados na Câmara Legislativa do DF pelos partidos PSB, Cidadania e PSOL. Assinaturas incluem nomes como Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro, do PSB; Cristovam Buarque, presidente do Cidadania-DF; e Giulia Tadini, presidente regional do PSOL. As acusações apontam crimes de responsabilidade, como gestão temerária de instituição financeira, improbidade administrativa e violações às finanças públicas. Os partidos alegam que o governo distrital, acionista controlador do BRB, atuou de forma imprudente, com compras de títulos de baixa qualidade e origem irregular, criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência e possível influência indevida do governador em decisões internas do banco público. O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões, com o Banco Central determinando provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bilhões para cobrir prejuízos.

As investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal revelam que o Banco Master vendeu ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, em uma manobra para evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez. Ao longo de 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, transferências suspeitas de gestão fraudulenta. A tentativa de aquisição de uma fatia relevante do banco privado pelo BRB, com apoio público do governo do DF, foi barrada pelo Banco Central, que decretou a liquidação do Master em novembro. Ex-executivos das duas instituições foram intimados para depoimentos no fim de janeiro e início de fevereiro, com apurações focadas em falhas de governança e ilícitos administrativos.

Daniel Vorcaro, em depoimento à PF em 30 de dezembro, por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, afirmou ter conversado algumas vezes com Ibaneis Rocha sobre as negociações BRB-Master. O banqueiro negou fraudes de R$ 12 bilhões, disse que a venda foi construída tecnicamente dentro do Banco Central e que uma diretoria de fiscalização da autarquia até recomendou o negócio, mas criticou a não concretização, que expôs o caso e prejudicou o sistema financeiro. Vorcaro admitiu problemas crônicos de liquidez no Master, dependência de cessões de ativos e uso de linhas emergenciais do Fundo Garantidor de Créditos, mas defendeu o modelo como legal e de conhecimento público.

Ibaneis Rocha negou veementemente qualquer envolvimento nas tratativas. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira, o governador afirmou nunca ter discutido a operação BRB-Master com Vorcaro, destacando que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, demitido após operações da PF e do MP. Ele confirmou encontros sociais com o banqueiro, como um almoço na casa de Vorcaro organizado por um amigo em comum, mas insistiu que entrou mudo e saiu calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique, declarou. Além dos pedidos de impeachment, o deputado Fábio Félix, do PSOL, protocolou pedido de investigação ao MPF, solicitando bloqueio de bens do governador, coleta de provas pela PF, acesso a relatórios de risco e auditorias do BRB, e eventual denúncia ao STJ.

A tramitação dos pedidos depende agora do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, do MDB e aliado de Ibaneis. Sem seu aval, os processos nem iniciam. Caso aceitos, exigem Comissão Especial e aprovação por dois terços dos deputados distritais em duas votações plenárias. Paralelamente, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente analisam as transações, sem conclusões oficiais divulgadas até o momento.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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