Mercado financeiro ajusta projeções para inflação e taxa Selic até 2029

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 4% para 3,99% em 2026. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (2) no boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) em Brasília, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%, enquanto para 2028 e 2029 as previsões são de 3,5% para ambos os anos. Pela quarta semana consecutiva, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida, ficando dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A primeira divulgação sobre o IPCA de 2026 será feita no próximo dia 10 de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o índice de janeiro. Em dezembro, o aumento nos preços dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas fez a inflação atingir 0,33%, acima do aumento de 0,18% registrado em novembro, resultando em um acumulado de 4,26% em 2025.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não alterou os juros pela quinta vez consecutiva na última reunião. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano.

O Copom indicou que poderá começar a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação continue sob controle e não ocorram surpresas no cenário econômico. A previsão dos analistas de mercado é que a taxa básica caia para 12,25% ao ano até o final de 2026, mesma previsão do boletim Focus da semana passada. Para 2027 e 2028, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente, e atinja 9,5% ao ano em 2029.

Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permanece em 1,8%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) também ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima uma expansão de 2% para ambos os anos. No terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, considerado pelo IBGE como estabilidade.

Em 2024, o PIB registrou um aumento de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está programada pelo IBGE para 3 de março. A previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,50 para o final deste ano, com expectativa de se manter nesse patamar até o final de 2027.

Fonte: Agência Brasil