O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, anunciou nesta quinta-feira (30) o lançamento de sete unidades do Cidadania PopRua na cidade de São Paulo. O evento ocorreu no Sesc Santo Amaro e contou também com o anúncio do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considerado um marco na produção de dados oficiais sobre essa população.
Os espaços do Cidadania PopRua são equipamentos públicos que oferecem atendimento por equipes multidisciplinares, combinando serviços especializados em direitos humanos com infraestrutura de cuidado, incluindo higiene, hidratação e guarda de pertences. Em São Paulo, as unidades serão instaladas em Santo Amaro, Cidade Tiradentes, Santana, Cambuci, Vila Leopoldina, Brás e Sé.
A iniciativa visa reduzir danos sociais e à saúde, especialmente entre pessoas vulneráveis pelo uso de substâncias psicoativas, além de facilitar o acesso a políticas públicas. Um dos focos é a escuta qualificada para acesso à justiça e promoção de direitos civis, especialmente para aqueles em extrema vulnerabilidade.
A secretária-executiva do MDHC, Caroline Reis, destacou a necessidade de atenção especializada e multidisciplinar para pessoas em situação de rua, respeitando sua diversidade e direitos humanos. Ela enfatizou a importância de oferecer acolhimento, escuta e dignidade, incluindo serviços como banho, corte de cabelo e locais para guardar pertences.
No início da semana, foram inaugurados dois centros em Belém, dois no Distrito Federal e dois em Belo Horizonte. Ao todo, estão previstas 47 unidades do Cidadania PopRua em 21 estados e no Distrito Federal, consolidando diretrizes do Plano Ruas Visíveis.
Sobre o Censo Nacional da População em Situação de Rua, o IBGE desenvolverá uma metodologia própria, em diálogo com a sociedade civil, para obter dados que auxiliem na elaboração de políticas públicas mais eficientes. Desde 1972, o Brasil realiza censos demográficos, mas a população em situação de rua não é contemplada devido à falta de endereço fixo.
O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, afirmou que a necessidade de incluir essa população foi percebida através de diálogos com movimentos sociais e governos. O censo será realizado em 2028, após planejamento e consultas, com provas piloto em cinco capitais: Salvador, Belo Horizonte, Manaus, Goiânia e Florianópolis.
Pochmann destacou que, por não haver metodologia internacional para esse tipo de pesquisa, o Brasil pode se tornar uma referência. As experiências do IBGE foram obtidas em diálogo com prefeituras e governos estaduais, mas a abordagem nacional exigirá metodologia distinta para construir políticas mais precisas.
