Polícia Federal não consegue periciar vídeos da Operação Contenção

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não conseguiu realizar a perícia nos vídeos da Operação Contenção, enviados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os 945 arquivos foram disponibilizados apenas em nuvem, o que inviabilizou as perícias, conforme comunicado enviado à Corte.

Deflagrada em outubro de 2025, a Operação Contenção, contra a facção Comando Vermelho, resultou em 122 mortes. Parte dos corpos foi abandonada em uma área de mata no Complexo da Penha e enfileirada em uma das principais vias da Vila Cruzeiro. No dia da operação, famílias e agentes comunitários denunciaram sinais de execução.

Os vídeos das câmeras corporais dos agentes da Polícia Civil foram solicitados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas. O procedimento visava impor limites à atuação policial em favelas devido à alta letalidade.

Apesar da determinação do STF, a Polícia Civil disponibilizou apenas o acesso à reprodução direta dos vídeos. “Como o download não se encontrava ativo, restou inviabilizada a extração dos arquivos para fins de preservação, análise de viabilidade técnica e eventual realização de perícia”, afirmou o diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, em ofício ao STF, solicitando acesso ao material em mídia física.

A Polícia Civil informou que menos da metade dos agentes utilizou as câmeras corporais devido a falhas técnicas nos equipamentos. Entre o material solicitado, acredita-se que estejam registros audiovisuais das necropsias dos mortos, a pedido da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Após a operação nos Complexos da Penha e do Alemão, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram o cumprimento das regras estabelecidas pela ADPF. As denúncias se intensificaram após seis policiais serem denunciados à Auditoria de Justiça Militar por crimes como peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e recusa de obediência a ordem superior.

As investigações apontaram que policiais arrombaram casas, ingressaram em imóveis sem necessidade e autorização, reviraram cômodos e constrangeram moradores sob ameaça. A análise de imagens corporais revelou o roubo de um celular e de um fuzil abandonado por criminosos em fuga. Também foram identificadas tentativas de ocultar ou obstruir as câmeras presas às fardas.

Fonte: Agência Brasil

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