O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou qualquer associação da gestora de fundos financeiros com a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Mansur compareceu à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado nesta quarta-feira (11).
Durante a sessão, Mansur afirmou que, no procedimento da operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que conta com 15 mil páginas, não há menção à associação da Reag com o PCC ou com o crime organizado. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou o motivo da empresa ter sido alvo das operações da PF, mas Mansur preferiu não opinar.
Além da Carbono Oculto, a Reag Investimentos é investigada na operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master, e na operação Quasar, que investiga lavagem de dinheiro para facções criminosas. Em janeiro, a Reag foi liquidada pelo Banco Central por suspeitas de envolvimento com fraudes estimadas em até R$ 50 bilhões.
A Reag, que administrava 700 fundos totalizando R$ 300 bilhões, é suspeita de criar empresas de fachada em um esquema com o banqueiro Daniel Vorcaro. Mansur declarou que a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha estruturas de governança de uma empresa de capital aberto.
Ainda nesta quarta-feira, a CPI aprovou mais de 20 requerimentos com quebras de sigilos e convocações relacionadas ao braço financeiro do PCC na Faria Lima e ao grupo de Daniel Vorcaro. O presidente da Comissão destacou que a operação Carbono Oculto identificou 42 escritórios na Avenida Faria Lima ligados ao crime organizado.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou que Mansur se recusou a responder perguntas, limitando-se a pequenos comentários sobre a Reag como empresa.
