Cuba completou três meses sem receber qualquer carga de combustível em meio ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, que ameaçaram sancionar qualquer país que venda petróleo para a ilha caribenha.
O presidente cubano Miguel-Díaz Canel declarou, em coletiva de imprensa em Havana, que o bloqueio dos EUA tem causado apagões de até 30 horas em alguns municípios. Ele destacou que, desde a chegada do último navio-tanque, a situação se tornou crítica, afetando profundamente a população.
Cerca de 80% da energia de Cuba é gerada por termelétricas alimentadas por combustíveis fósseis. As restrições dos EUA, intensificadas pelo bloqueio naval à Venezuela, limitaram severamente a capacidade de compra de petróleo no mercado global.
Recentemente, Havana iniciou conversações com representantes do governo dos EUA para tentar resolver as diferenças bilaterais. Essas negociações, ainda em fase inicial, têm sido facilitadas por atores internacionais.
Miguel-Díaz Canel afirmou que Cuba deseja continuar o diálogo com os EUA, respeitando a igualdade, soberania e autodeterminação de ambos os países. Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que Cuba deve passar por uma mudança em breve.
Para mitigar os efeitos da crise, o governo cubano tem aumentado a produção de petróleo interno, investido em usinas solares e promovido o uso de carros elétricos. Mesmo assim, a falta de petróleo importado ainda afeta serviços essenciais como saúde e educação.
A crise energética é especialmente grave nas províncias do interior, onde os apagões podem durar quase o dia todo. A situação piorou após a nova Ordem Executiva de Trump, que classificou Cuba como uma ameaça à segurança dos EUA, justificando a imposição de tarifas comerciais a países que fornecem petróleo à ilha.
O embargo dos EUA contra Cuba já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana de 1959. A atual situação é vista como mais uma tentativa de Washington de enfraquecer o governo comunista de Cuba.
