As redes municipais de ensino, responsáveis pela gestão da educação infantil, adotam mais estratégias em letramento e experiências com a linguagem do que com a matemática. Os dados são do relatório ‘Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública’, que revela que enquanto quase metade dos municípios adota estratégias de letramento matemático, práticas voltadas à linguagem e à cultura escrita estão presentes em 76% dos municípios.
O levantamento também aponta que 20% das secretarias municipais de educação não contam com iniciativas para a primeira infância. Divulgado pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o relatório detalha a realidade, os avanços e os desafios da educação básica no Brasil.
A pesquisa envolveu 2.712 redes municipais de ensino, cobrindo cerca de metade dos municípios em cada região, exceto no Norte e no Sudeste. Outro dado relevante é que 23% das prefeituras não sabem se unidades conveniadas da pré-escola adotam estratégias de letramento. Sonia Dias, do Itaú Social, destaca a necessidade de acompanhamento e padronização para evitar desigualdades educacionais.
O relatório mostra que 67% das redes municipais recebem apoio da secretaria estadual de educação, principalmente para formações e apoios técnicos. No entanto, um terço dos municípios não recebe suporte, apontando a necessidade de apoio financeiro e materiais didáticos. Sonia Dias ressalta a importância da coordenação entre União, estados e municípios para reduzir desigualdades regionais.
A maior parte dos municípios adota a matriz curricular estadual para a educação infantil, enquanto 34% têm um currículo próprio. Na pré-escola, 78% dos municípios adaptaram o Projeto Político-Pedagógico às diretrizes adotadas. No entanto, 37% das secretarias encontram dificuldades para adequar este plano às normas da Base Nacional Comum Curricular.
A transição da pré-escola para o ensino fundamental ainda é um desafio, com 17% das redes sem planejamento articulado entre as etapas. A gerente do Itaú Social, Sonia Dias, alerta que a falta de continuidade pedagógica pode fragilizar o percurso educacional das crianças.
A infraestrutura inadequada das unidades de ensino é um dos principais desafios apontados por 23% dos gestores. Além disso, a inclusão de crianças com deficiência é um entrave para 15% dos gestores, destacando a necessidade de políticas de qualificação dos ambientes escolares.
A formação continuada dos professores é outro desafio, com 20% das redes de ensino sem oferecer formação às unidades conveniadas. Sonia Dias enfatiza a importância de políticas que garantam formação continuada para corrigir deficiências da formação inicial dos docentes.
O relatório conclui que as políticas públicas devem focar na qualificação dos ambientes, em vez de apenas na abertura de vagas. A gestão de novas vagas em creches e a expansão do tempo integral aparecem como desafios na educação infantil nos municípios brasileiros.
