Garis suspendem coleta de lixo em bairro de SP após morte de colega

O serviço de coleta de lixo foi suspenso na noite desta segunda-feira (27) na zona norte da cidade de São Paulo em protesto pela morte do gari Diego Rafael da Silva, atropelado e morto durante seu horário de trabalho no domingo (26).

O funcionário da Loga, concessionária responsável pela coleta, foi atropelado por um motorista que estava embriagado, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O atropelamento aconteceu no bairro da Barra Funda, zona oeste da capital.

A concessionária informou, por meio de nota, que “devido à comoção gerada pelo falecimento do colaborador Diego Rafael da Silva, as equipes de coleta paralisaram as atividades de coleta comum e de materiais recicláveis nas vias atendidas pela frequência de coleta da segunda-feira (27), no período noturno”.

Ainda segundo informações da empresa, os serviços serão retomados “gradualmente e normalizados” até quarta-feira (29).

De acordo com informações da Polícia Civil, o motorista que atropelou Diego tem 53 anos de idade e apresentava sinais evidentes de embriaguez no momento do atropelamento. 

O homem fez o teste do bafômetro, que constatou a presença de álcool em seu organismo acima do limite previsto em lei.

O motorista foi preso em flagrante por homicídio e está preso no 7º Distrito Policial, no bairro da Lapa.

Saiba mais sobre o caso na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

O caso de Diego Rafael expõe uma vulnerabilidade estrutural pouco debatida: trabalhadores da limpeza urbana estão entre os mais expostos a atropelamentos fatais em vias públicas, sobretudo em grandes centros como São Paulo, onde a coleta domiciliar supera 12 mil toneladas de lixo por dia. Estudos sobre saúde ocupacional indicam que acidentes de trabalho com veículos estão entre as principais causas de morte nesse segmento, mas a ausência de dados consolidados específicos para garis dificulta políticas de prevenção mais robustas, como barreiras físicas, iluminação adequada e protocolos de redução de velocidade nas rotas de coleta.

Há ainda um componente de segurança viária central: no Brasil, cerca de metade das mortes no trânsito tem relação com consumo de álcool, segundo levantamentos recentes de órgãos de saúde e trânsito, e a combinação de direção sob efeito de álcool com trabalho noturno nas ruas cria um cenário de risco permanente para equipes de coleta. A paralisação temporária do serviço, portanto, não é apenas um gesto simbólico de comoção, mas um alerta sobre o custo humano embutido na rotina urbana: além do impacto imediato na limpeza e na saúde pública, o episódio reforça a necessidade de integração entre políticas de trânsito, fiscalização de alcoolemia e proteção laboral de categorias invisibilizadas.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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