O Rio Guaíba, no estado do Rio Grande do Sul, está em nível de atenção para possível inundação nos próximos dias e a poucos centímetros de alcançar o nível de alerta, aponta nesta sexta-feira (31) o monitoramento da Defesa Civil de Porto Alegre.
Segundo o Centro de Monitoramento e Alertas (Cemadec) do órgão, o nível do Rio Guaíba entrou na cota de atenção na quarta-feira (29), após atingir 1,90 metro no ponto de monitoramento do Cais Mauá C6.
Desde então, o acúmulo de água segue aumentando. Até a última atualização, antes do fechamento desta matéria, o rio chegou a 2,54 metros.
Caso o rio acumle elevação acima de 2,60 metros nas próximas horas, será alcançada a cota de alerta para inundação.
Neste cenário, algumas regiões do município de Porto Alegre podem apresentar impactos, como o Bairro Arquipélago, formado pelas ilhas da Pintada, Grande dos Marinheiros, Flores e Pavão. Também podem ocorrer danos nas áreas ribeirinhas das regiões Sul e Extremo Sul da capital.
Aviso hidrológico
Após a atualização dos modelos e a confirmação da elevação do nível do Guaíba, a Defesa Civil elevou o aviso hidrológico para alerta nível laranja. A vigência do aviso vai das 15h de quinta-feira (30) até as 18h da próxima segunda-feira (3).
Há também alertas ativos em outras regiões do estado. Os rios Taquari, Caí, Gravataí e dos Sinos ultrapassaram a cota de inundação de seus respectivos pontos de monitoramento.
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.
O quadro de elevação do Guaíba ocorre em um contexto mais amplo de vulnerabilidade hídrica no Rio Grande do Sul: apenas em julho, mais de uma centena de municípios já reportaram danos por inundações, com centenas de pessoas desabrigadas ou desalojadas, o que pressiona a estrutura de abrigos e assistência social em todo o estado. A recorrência de cheias em 2024 e 2026 vem deslocando populações de baixa renda em áreas ribeirinhas, aprofundando a precarização habitacional e elevando o custo de reconstrução para prefeituras já fragilizadas financeiramente.
Além do evento atual, meteorologistas apontam que a atuação de um El Niño forte em 2026 aumenta, até o fim da primavera, a probabilidade de novos episódios de chuvas volumosas e enchentes, sobretudo na metade norte e na região metropolitana de Porto Alegre. Esse cenário tende a pressionar cadeias produtivas estratégicas — como logística portuária, comércio de varejo e serviços urbanos — e reforça o debate sobre adaptação climática estrutural, incluindo revisão do planejamento urbano em áreas alagáveis, modernização do sistema de diques e ampliação de políticas de seguro e crédito para famílias e pequenos negócios afetados por eventos extremos recorrentes.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
