Convívio entre gerações é receita contra etarismo, aponta especialista

O etarismo, preconceito e discriminação baseados na idade, especialmente contra pessoas idosas, é uma realidade presente em diversos aspectos da vida cotidiana. Esse tipo de discriminação se manifesta de maneira sutil ou explícita, seja no ambiente de trabalho, nos serviços de saúde ou nas relações sociais. No mercado formal, profissionais mais velhos frequentemente enfrentam barreiras para ingressar ou permanecer em vagas, sendo excluídos de processos seletivos ou impedidos de participar de capacitações. Na saúde, é comum que queixas de idosos sejam desconsideradas ou atribuídas apenas à idade, como se fossem sintomas inevitáveis e sem necessidade de investigação mais aprofundada.

A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas com 60 anos ou mais subiu de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Em números absolutos, o total de idosos passou de 15,2 milhões para 33 milhões no período. As projeções indicam que, em 2070, cerca de 37,8% da população brasileira terá 60 anos ou mais, o que representa aproximadamente 75,3 milhões de pessoas. Esse crescimento exige uma mudança de postura da sociedade, que precisa reconhecer e valorizar a diversidade e as contribuições dessa faixa etária.

A discriminação por idade, muitas vezes chamada de velhofobia, está enraizada em estereótipos que associam o envelhecimento à fragilidade, à incapacidade e à falta de produtividade. Essa visão limitada resulta em atitudes que desvalorizam o idoso, negando-lhe oportunidades e direitos. O Estatuto da Pessoa Idosa, Lei nº 10.741, sancionada em 2003, estabelece que qualquer tipo de negligência, discriminação, violência ou opressão contra idosos é crime, buscando garantir dignidade e respeito aos direitos dessa população. No entanto, apesar da legislação, o etarismo ainda é uma prática comum, refletindo uma sociedade que muitas vezes prioriza o jovem, o produtivo e o belo, em detrimento dos mais velhos.

A luta contra o etarismo exige conscientização, disseminação de informações e políticas públicas que promovam a inclusão e o respeito à diversidade etária. É fundamental que a sociedade reconheça que o envelhecimento é uma fase natural da vida, repleta de experiências, saberes e potenciais. Combater o preconceito por idade é um passo essencial para construir uma sociedade mais justa, solidária e acolhedora para todas as gerações.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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