A área de defesa é um dos principais desafios da política externa brasileira nos próximos anos. O setor exigirá maior atenção do país diante da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e de uma conjuntura internacional de ampliação de conflitos. O alerta é de Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
Durante a 2ª Conferência Nacional Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, Faleiro destacou a percepção de vulnerabilidade com a ação militar americana na região, ressaltando uma nova urgência para lidar com esse desafio. Apesar disso, ele não vê nenhuma ameaça imediata contra as reservas brasileiras de petróleo ou o programa nuclear nacional.
Faleiro enfatizou que o Brasil precisará decidir sobre investimentos no setor de defesa. Ele mencionou o dilema na sociedade brasileira entre a percepção de ser um país pacífico e a necessidade de defesa diante da assimetria militar global. Conflitos assimétricos, como o dos Estados Unidos e Irã, mostraram que uma capacidade de dissuasão eficaz é fundamental.
Além da defesa, Faleiro listou desafios na política externa que incluem minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional e com países africanos. Ele destacou a necessidade de atualizar o arcabouço regulatório para minerais críticos e mencionou esforços para criar um Conselho Nacional de Minerais Críticos.
Sobre o crime organizado transnacional, Faleiro afirmou que o Brasil deve estar atento para evitar manipulações políticas do tema. Ele destacou a importância de propor uma pauta de combate ao crime organizado na América Latina, mesmo para países alinhados à administração americana.
Em relação à soberania digital, o assessor destacou a urgência de investimentos, já que o Brasil está atrasado nesse aspecto. Sobre a integração regional, Faleiro mencionou dificuldades devido à fragmentação política na América Latina, complicadas por eventos eleitorais recentes na Argentina e Venezuela.
No que diz respeito à África, Faleiro observou que, após um período de afastamento, o Brasil encontra o continente com a presença de novos atores internacionais. Ele sugeriu a necessidade de repensar instrumentos de cooperação previamente abandonados.
Por fim, Faleiro comentou sobre os Brics, afirmando que a expansão do grupo em 2023 foi um erro, resultando em paralisia devido a conflitos entre seus membros. Ele citou a ausência de consenso sobre o conflito no Oriente Médio como exemplo das dificuldades enfrentadas pelo bloco.
