França e Inglaterra disputam terceiro lugar da Copa do Mundo 2026


França e Inglaterra entram em campo neste sábado (18) para decidir a terceira colocação da Copa do Mundo de 2026. A rivalidade entre os dois países atravessa séculos, sendo marcante para a história europeia – ainda que com poucos capítulos em termos de Copas do Mundo.

A batalha de hoje será às 18h, em Miami, nos Estados Unidos. A partida reúne duas seleções que chegaram ao torneio apontadas como favoritas ao título, mas acabaram eliminadas nas semifinais.

A França foi derrotada pela Espanha nas semifinais, enquanto a Inglaterra perdeu para a Argentina. Duas derrotas que colocaram frente a frente duas das maiores potências do futebol europeu que raramente se enfrentaram em Copas do Mundo.

Histórico em Copas do Mundo

  • 1966: Inglaterra 2 x 0 França
  • 1982: Inglaterra 3 x 1 França
  • 2022: França 2 x 1 Inglaterra

Antes da disputa pelo terceiro lugar de 2026, os dois países haviam se encontrado apenas três vezes na história da competição, que tem o Brasil como o maior ganhador com cinco títulos. O retrospecto favorece a Inglaterra, com duas vitórias, contra uma da França.

O primeiro duelo ocorreu na fase de grupos da Copa de 1966, disputada na Inglaterra. Em Wembley, os anfitriões venceram por 2 a 0 – resultado que ajudou na campanha que terminaria com a conquista do único título mundial inglês.

Os países voltaram a se enfrentar em 1982, também na fase de grupos. Novamente a Inglaterra levou a melhor, vencendo Les Bleus (como os franceses são conhecidos) por 3 a 1.

A primeira vitória francesa veio apenas quarenta anos depois, durante as quartas de final da Copa do Mundo do Catar, em 2022. A França derrotou a Inglaterra por 2 a 1, garantindo vaga nas semifinais da competição.

Guerra dos Cem Anos

Assim, além da medalha de bronze, a partida em Miami representará, na verdade, o confronto esportivo mais importante da história entre estes dois países que são rivais seculares, protagonistas da história do Continente Europeu.

Uma rivalidade que vai muito além de campos de futebol, envolvendo os dois adversários da chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453), disputa travada pelo controle do trono francês e de territórios estratégicos.

Nos primeiros anos da guerra, os ingleses saíram na frente, com vitórias militares que possibilitaram a conquista de extensas áreas do território francês.

Na sequência, os franceses conseguiram se reorganizar e, em contra ataques, recuperaram territórios que estavam sob domínio inglês.

A partida começou a mudar quando entrou em campo Joana d’Arc. Sob sua liderança, tropas francesas obtiveram vitórias importantes em momentos decisivos como o levantamento do Cerco de Orléans (1429), considerado o ponto de virada da guerra, quando os franceses conseguiram romper o bloqueio inglês. 

A França, então, conseguiu se fortalecer, ampliando a resistência aos ataques ingleses.

A Guerra dos Cem Anos terminou com a vitória francesa, após a retomada de quase todos os territórios ocupados pelos ingleses, o que contribuiu para a atual configuração dos Estados europeus. 

Além da dimensão simbólica dessa “guerra de cem anos” em versão esportiva, França x Inglaterra em Miami movimenta uma cadeia econômica relevante: estima-se que partidas de Copa do Mundo em estádios da capacidade do Hard Rock Stadium (cerca de 65 mil lugares) gerem dezenas de milhões de dólares em receitas diretas com bilheteria, hospitalidade, consumo e turismo, efeito ampliado pelo fato de a Flórida ser um dos principais destinos de viajantes europeus. Em 2018, o jogo pelo terceiro lugar entre Bélgica e Inglaterra foi acompanhado por mais de 190 milhões de espectadores no mundo, indicador de que mesmo um duelo “sem título” mantém alto potencial comercial para patrocinadores e plataformas de mídia.

O confronto também dialoga com a trajetória recente das relações franco-britânicas: após séculos de antagonismo, os dois países consolidaram uma cooperação estratégica na Entente Cordiale, atuaram lado a lado nas duas Guerras Mundiais e hoje dividem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, além de integrarem OTAN e iniciativas conjuntas de defesa e combate ao terrorismo. Essa ambiguidade histórica – rivais na memória, aliados na geopolítica – torna cada jogo de Copa uma espécie de termômetro simbólico do “soft power” de Paris e Londres, em um cenário em que o desempenho esportivo influencia reputação, atração

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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