Com o objetivo de fortalecer a rede de proteção e ampliar o debate sobre o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes, a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES), por meio da Coordenação de Saúde da Criança e do Adolescente, realizou, nesta sexta-feira (22), no Espaço Cultural, em João Pessoa, o evento Maio Laranja – III Caravana Intersetorial de Combate e Prevenção da Violência Infantojuvenil. A iniciativa reuniu mais de 400 participantes, entre profissionais da saúde, educação, assistência social, segurança pública, sistema de justiça, conselhos tutelares, além de crianças, adolescentes e jovens, reforçando a importância da atuação conjunta no enfrentamento às diversas formas de violência.
A coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente da SES, Tatiane Jesus, destacou que a violência infantojuvenil é uma problemática social complexa e que exige respostas integradas entre diferentes políticas públicas. “A violência é um problema social e nenhuma política consegue enfrentar isso sozinha. Por isso, trabalhamos de forma intersetorial, integrando saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça. Também fazemos questão de trazer crianças, adolescentes e jovens para esses espaços, porque eles precisam ser sujeitos dessa discussão, saber identificar situações de violência e conhecer os caminhos de apoio e proteção”, ressaltou.
A programação promoveu debates sobre prevenção, acolhimento, fluxos de atendimento e fortalecimento da rede de proteção, destacando a necessidade de uma escuta qualificada para evitar a revitimização das vítimas. A coordenadora do Centro de Atendimento Infantojuvenil (CAI), Risomar Firmino, explicou que o trabalho integrado é essencial para garantir atendimento humanizado às crianças e adolescentes vítimas de violência. “É importante capacitar os profissionais para que saibam como escutar, acolher e encaminhar essas crianças de forma adequada, minimizando o sofrimento e evitando que elas revivam a violência durante o atendimento”, afirmou.
Representando a Secretaria de Estado da Educação, o secretário executivo de Gestão Pedagógica, Edilson Amorim, destacou o papel da escola no fortalecimento emocional das crianças e adolescentes. “A escola precisa garantir não apenas a aprendizagem, mas também o direito de sonhar. Muitas vezes, as crianças nem percebem as várias formas de violência as quais estão expostas. Por isso, é fundamental promover conscientização e sensibilização dentro das escolas”, pontuou.
A atuação integrada entre os órgãos também foi reforçada pela Polícia Civil da Paraíba. O superintendente da Polícia Civil na Região Metropolitana, Cristiano Santana, destacou a implantação do polo especializado de atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, em João Pessoa, como exemplo do fortalecimento das políticas de proteção. O espaço conta com atendimento especializado para crianças e adolescentes vítimas de violência, com equipe capacitada e funcionamento em horários ampliados.
O procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, Raulino Maracajá, alertou para a necessidade da responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade no enfrentamento da exploração e do abuso sexual infantil. “Os dados mostram uma realidade preocupante e precisamos unir esforços para proteger nossas crianças e adolescentes dessa grave violação de direitos”, afirmou.
A secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Neide Nunes, ressaltou que o enfrentamento da violência sexual infantojuvenil exige mobilização coletiva e fortalecimento contínuo das políticas públicas. Já a representante do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), Adelaide Dias, destacou que o órgão vem incentivando os municípios paraibanos a incluírem orçamento específico para políticas voltadas à primeira infância, fortalecendo ações de proteção e prevenção da violência.
Um dos momentos mais marcantes do evento foi a participação do estudante James Santos, de 17 anos, aluno da Escola Estadual Sesquicentenário, que representou os jovens durante a programação. Em sua fala, ele destacou a importância de discutir o tema nas escolas e de mostrar às vítimas que elas não estão sozinhas. “Nós temos futuro e esse futuro não pode ser paralisado pela violência. É importante que crianças e adolescentes saibam que existem pessoas lutando por elas”, declarou.
Também participaram da III Caravana Intersetorial de Combate e Prevenção da Violência Infantojuvenil representantes da Rede Margaridas Pró-Crianças e Adolescentes (Remar), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)/ Associação de Defesa da Educação, Saude e Assistência Social (Asserte), Conselho Estadual de Direito da Criança e Adolescente (CEDCA), Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Superintendência do Ministério da Saúde na Paraíba, da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde da Paraíba (Cosems-PB).
