Polícia Civil recupera oito obras de Matisse roubadas em São Paulo


A Polícia Civil de São Paulo recuperou nesta quinta-feira (13) oito obras do pintor francês Henri Matisse roubadas de uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista, em 7 de dezembro de 2025.

As obras estavam em um apartamento no centro de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Um homem que estava no imóvel foi preso por receptação.

O roubo ocorreu em questão de minutos, em uma manhã de domingo, último dia da exposição. Além das obras recuperadas nesta quinta-feira, outras cinco peças, do artista Candido Portinari, também foram levadas e não foram localizadas. 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o roubo foi cometido por um grupo especializado que vem sendo desarticulado pelas autoridades. Dois homens e uma mulher foram presos ainda em dezembro, após a análise de imagens de câmeras de segurança da região.

Em abril, uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro prendeu outros dois integrantes da organização durante uma tentativa de roubo. Um deles é suspeito de ter planejado o roubo à Biblioteca Mário de Andrade.

A prisão levou à realização de buscas e apreensões em imóveis ligados ao grupo nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Rio de Janeiro. As diligências ajudaram a reunir informações que subsidiaram a operação realizada nesta quinta-feira, que resultou na recuperação das oito obras de Matisse.

O caso reforça um ponto pouco visível fora do meio cultural: o mercado ilícito de obras de arte depende menos da venda pública e mais da circulação em redes de receptação e ocultação, o que explica por que as gravuras podem permanecer anos fora do alcance das autoridades. Neste episódio, as oito peças de Matisse pertencem à série “Jazz”, de 1947, e foram avaliadas em mais de R$ 1 milhão, valor que amplia a atratividade criminal e ajuda a dimensionar o impacto econômico da perda temporária para o patrimônio público.

Há também um precedente relevante para a leitura do caso: as mesmas gravuras já haviam sido furtadas, falsificadas e recuperadas pela Polícia Federal na Argentina em 2011, o que mostra a recorrência internacional desse tipo de fraude e a importância do rastreamento documental. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Museus mantém o Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos — espécie de “Interpol dos museus” — justamente para acelerar a identificação e recuperação de peças

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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