Projeto da Saúde da Paraíba no Agreste ganha reconhecimento nacional e será apresentado em Brasília

Crianças e adolescentes atendidos pela Academia da Saúde no município de Esperança, no Agreste paraibano, têm encontrado na arte novas formas de aprendizado, convivência e desenvolvimento. O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), teve o projeto “Virando Páginas: Inserção de Desenho Artístico e Hip Hop Desperta Talentos em Crianças e Adolescentes” entre os selecionados para a I Mostra de Boas Práticas do Programa Academia da Saúde. A cerimônia de premiação será realizada no dia 29 de abril, em Brasília (DF), durante o Seminário Nacional do programa.
 
A mostra reúne experiências de diferentes estados brasileiros que utilizam as Academias da Saúde como espaços de promoção do cuidado, incorporando ações culturais, educativas e de convivência nos territórios. Entre as 15 iniciativas selecionadas, estão projetos como ações de promoção da atividade física e alimentação saudável desenvolvidas na Bahia, estratégias de prevenção às arboviroses com mobilização comunitária no Ceará, iniciativas de práticas integrativas e bem-estar em Minas Gerais e atividades voltadas à saúde mental e inclusão social no Pará, além da experiência da Paraíba, que integra arte e cultura ao cuidado em saúde com foco em crianças e adolescentes.
 
De acordo com a referência estadual do Programa Academia da Saúde na Paraíba, Mônica Fialho, a seleção da experiência para a mostra nacional demonstra como as ações desenvolvidas nos municípios têm se consolidado como estratégias efetivas de promoção da saúde, alinhadas às necessidades da população. “Essa seleção mostra que o que está sendo construído nos territórios tem consistência, tem resultado e pode dialogar com outras realidades do país. É uma experiência que amplia o olhar sobre o cuidado em saúde, incorporando cultura, escuta e participação como elementos centrais”, destacou.
 
Desenvolvido desde março de 2023, o projeto “Virando Páginas” já atendeu 82 crianças e adolescentes da comunidade do Portal, em Esperança, sendo 52 com participação mais frequente, muitos deles acompanhando as atividades desde o início. As ações são realizadas por meio de oficinas de desenho artístico e hip hop, organizadas em quatro turmas nos turnos da tarde e da noite.
 
A coordenadora da iniciativa, Lirian Augusta da Conceição Silva, especialista em Educação Física Escolar e Saúde da Família, destaca que o projeto tem ampliado as possibilidades dentro da própria comunidade. “Mais do que aprender técnicas, eles passam a conviver, respeitar o outro e acreditar no próprio potencial. A gente vê mudanças no comportamento, na participação e na forma como eles se enxergam”, afirmou.
 
As oficinas foram estruturadas como alternativa ao tempo ocioso, estimulando a participação em atividades educativas fora do ambiente escolar e reduzindo a exposição excessiva a telas. Além disso, promovem a prática de atividade física, o desenvolvimento da criatividade e a descoberta de habilidades artísticas, especialmente entre jovens em contexto de vulnerabilidade social.
 
Ao longo das atividades, já são observadas mudanças no comportamento e na forma de participação dos alunos. Crianças que apresentavam agitação ou dificuldade de concentração passaram a demonstrar mais foco, calma e paciência durante as oficinas. Já aquelas mais tímidas encontraram no projeto um espaço seguro para se expressar, desenvolver confiança e interagir com os colegas. Integrando o projeto desde 2024, João Miguel Fernandes dos Santos, de 12 anos, relata como a experiência tem contribuído para sua trajetória. “O projeto é muito importante para mim e para as pessoas do Portal que querem aprender. Me ajudou a me tornar um jovem melhor e, no futuro, quero ser um grande desenhista. Sou muito grato por tudo que venho aprendendo”, contou.
 
Os resultados também se refletem na participação dos alunos em diferentes espaços da comunidade. Os grupos das oficinas já integram o calendário de eventos do município, com apresentações em atividades como aniversário da cidade, conferências municipais e estaduais, campanhas de vacinação, ações em unidades de saúde e iniciativas como o Abril Verde. Nessas ocasiões, os participantes apresentam coreografias de hip hop e exposições de desenhos e pinturas, levando o trabalho desenvolvido para além do espaço das oficinas e ampliando sua interação com a população. O projeto já participou de atividades em municípios vizinhos, incluindo apresentações em competições, o que tem contribuído para fortalecer o interesse e o engajamento dos alunos.
 
A experiência será apresentada em Brasília pela própria autora do projeto, Lirian Augusta, por meio de exposição em slides e vídeo, com destaque para a metodologia adotada e a evolução dos participantes ao longo do tempo. A participação na mostra nacional projeta a iniciativa para além do estado e reforça o papel das Academias da Saúde como espaços estratégicos de cuidado integral, conectados à realidade dos territórios e às diferentes formas de promover saúde.

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