Os seis dias de debates, rodadas de negócios, encontros internacionais e apresentações artísticas do Rio2C reuniram mais de 55 mil participantes de 30 países no Rio de Janeiro, segundo balanço divulgado pela organização do evento na noite de domingo. Mais de 20 setores da indústria criativa foram representados, destacando a força econômica e cultural do setor.
Além da programação artística e debates sobre inteligência artificial, comunicação, audiovisual, games, música e inovação, o Rio2C reforçou seu papel como ambiente estratégico de negócios. Foram realizadas 1.650 reuniões de mercado, com 366 players da indústria e 1.301 inscrições em pitchings voltados ao audiovisual, editorial, música e soluções tecnológicas.
A edição de 2026 marcou um momento de fortalecimento institucional da cultura como política de desenvolvimento econômico. Ao longo da semana, o governo federal anunciou a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual no programa Nova Indústria Brasil, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com o Ministério da Cultura.
Batizado de Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro, o plano prevê linhas de crédito específicas, estímulo à exportação de produções nacionais e articulação com instituições financeiras públicas como o BNDES, Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Durante o anúncio, o ministro Márcio Elias Rosa destacou o peso econômico do setor, afirmando que o audiovisual representa hoje 0,6% do PIB brasileiro, superando setores industriais tradicionais.
O debate sobre cultura como vetor econômico também esteve no centro da programação do palco MinC Conecta, o primeiro espaço próprio do Ministério da Cultura no Rio2C. O ambiente reuniu discussões sobre inteligência artificial, fomento cultural, audiovisual, sustentabilidade e economia criativa. Em uma das mesas mais concorridas, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, defendeu a cultura como área estratégica para o desenvolvimento nacional e apresentou dados sobre os impactos econômicos da Lei Rouanet.
Outro destaque da semana foi o lançamento oficial da plataforma Tela Brasil, um streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro, coordenado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas. A plataforma estreou com 555 obras audiovisuais nacionais, incluindo clássicos como Central do Brasil e Cidade de Deus.
Durante a cerimônia de lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a plataforma representa uma ferramenta de soberania cultural, criticando o excesso de conteúdos estrangeiros consumidos no país e defendendo maior acesso da população às produções nacionais. Segundo a ministra Margareth Menezes, um dos principais objetivos da plataforma é democratizar o acesso à produção audiovisual nacional.
Para Rafael Lazarini, idealizador do Rio2C, o evento vive hoje um momento de maturidade institucional e reconhecimento da economia criativa como agenda estratégica para o país, destacando a internacionalização e o fortalecimento institucional do projeto.
