Com o objetivo de ampliar o diagnóstico precoce, fortalecer a busca ativa e reduzir o preconceito em torno da hanseníase, a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES), por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde e da Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase, está realizando desde segunda-feira (11) até sexta-feira (15), em Cajazeiras, uma capacitação voltada ao fortalecimento das ações de enfrentamento da doença na Atenção Primária à Saúde. A atividade integra o Projeto Sasakawa, iniciativa internacional voltada à eliminação da hanseníase e ao fortalecimento das estratégias de cuidado nos territórios.
A programação reúne profissionais da Atenção Primária das 7ª e 9ª Regiões de Saúde em atividades teóricas e práticas que buscam qualificar o atendimento à população e tornar o diagnóstico mais rápido e acessível. Pela primeira vez contemplada pelo projeto, a Paraíba passa a integrar uma estratégia nacional desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde, a Fundação Nippon e a Sasakawa Health Foundation.
A terceira etapa do projeto ocorre nesta semana e contempla médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e profissionais dos laboratórios municipais, com foco no aprimoramento da vigilância laboratorial da hanseníase na região. A ação conta ainda com o apoio do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) e da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), do Ministério da Saúde, fortalecendo as estratégias de diagnóstico e monitoramento da doença no estado.
Para a apoiadora institucional da Vigilância em Saúde pelo Reap Quali/PB, Danielle Victor, o apoio institucional é essencial para garantir que as ações desenvolvidas durante o projeto continuem fortalecidas nos municípios ao longo do ano. “O apoio institucional consegue transitar entre gestão, serviços de saúde, profissionais da ponta e também entre a comunidade. Isso fortalece as ações de enfrentamento da hanseníase e ajuda a identificar as necessidades de cada território, garantindo que essas estratégias continuem acontecendo além do Projeto Sasakawa”, destacou.
A participação da Paraíba na iniciativa representa um avanço importante para o estado, especialmente pela integração entre diferentes setores da rede de saúde em torno do enfrentamento da doença, aproximando ainda mais o cuidado da população.
A fisioterapeuta Geisa Campos, assessora do programa nacional de coordenação da hanseníase e doenças em eliminação, ressaltou a importância da chegada do Projeto Sasakawa à região de Cajazeiras, considerada área de alta endemicidade para a doença. “É um momento importante porque estamos recebendo um projeto financiado por uma fundação japonesa que promove treinamentos sobre hanseníase no Brasil e no mundo. O objetivo é fortalecer o diagnóstico precoce e garantir o tratamento oportuno”, afirmou.
O dermatologista Maurício Nobre destacou que um dos principais desafios no combate à hanseníase é justamente o fato de a doença, muitas vezes, se manifestar de forma silenciosa. “Geralmente são lesões de pele que não coçam, não doem, não incomodam, mas que causam problemas importantes nos nervos. Muitas vezes, as pessoas são diagnosticadas tardiamente, já com dormências, diminuição de força e até paralisias nas mãos e nos pés”, alertou.
O especialista reforçou ainda a importância de a população procurar atendimento nas unidades de saúde diante de manchas ou lesões persistentes na pele. “Lesões que não melhoram com tratamentos comuns podem ser hanseníase. Quanto mais cedo acontece o diagnóstico, melhor o resultado do tratamento e mais rápida é a cura”, explicou.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Cajazeiras, Cristina Carolina, ressaltou que a iniciativa também busca combater a desinformação e o preconceito relacionados à doença. “A hanseníase não é transmitida pelo beijo, pelo toque ou pelo compartilhamento de objetos. A transmissão acontece por gotículas contaminadas de pacientes que não estão em tratamento”, esclareceu.
Segundo ela, o Projeto Sasakawa foi desenvolvido em três etapas no município. A primeira ocorreu com a qualificação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Na segunda etapa, os profissionais realizaram ações nos territórios, promovendo busca ativa de contatos e de pessoas com suspeita da doença, além de orientações educativas junto à comunidade.
Já a terceira etapa, realizada nesta semana, é voltada à capacitação dos profissionais da Atenção Primária à Saúde e ao fortalecimento da vigilância laboratorial da hanseníase, ampliando a capacidade de diagnóstico precoce, acompanhamento dos casos e enfrentamento integrado da doença na região.
As atividades teóricas ocorreram no Auditório Zé Bigode, da Faculdade Santa Maria, enquanto a programação prática segue durante toda a semana em unidades de saúde de Cajazeiras.
A iniciativa dá continuidade às estratégias já desenvolvidas na região, incluindo as qualificações realizadas recentemente com cerca de 181 Agentes Comunitários de Saúde dos municípios prioritários, fortalecendo a educação em saúde, a vigilância ativa e o cuidado mais próximo da população.
