Tempo seco intensifica risco de queimadas no interior paulista


A Defesa Civil do estado de São Paulo divulgou alerta para risco elevado de incêndios e queimadas nas regiões central, oeste e leste do estado. Segundo os dados divulgados, toda área a partir de Piracicaba está em alerta entre hoje (19) e quarta-feira (21), com a região norte, entre Barretos e Araçatuba, em situação de risco extremo no dia 21.

A região segue em situação de seca moderada ou leve desde fevereiro de 2024, segundo o Monitor das Secas, da Agência Nacional de Águas (ANA). Apesar da situação, o estado registra poucos focos de incêndio e queimadas, historicamente.

A pior situação ocorreu em 2024, quando a região norte paulista teve registro de queimadas extensas na região de lavouras de cana-de-açúcar. Na ocasião também esteve presente o fenômeno meteorológico El Niño, com menos intensidade do que é esperada para esse ano. No ano anterior foram registrados incêndios em parques estaduais e regiões de áreas de proteção ambiental (APAs), mas um plano robusto de prevenção e combate a incêndios florestais impediu impactos maiores nos últimos anos.

O abastecimento urbano também preocupa. Nos últimos dez anos as cidades do interior têm enfrentado dificuldades nos períodos mais secos, recorrendo a rodízios e a obras de captação alternativa. Municípios como Itu, Bauru, Campinas e Ribeirão Preto registraram longos períodos de estresse nos sistemas de saneamento.

A região metropolitana da capital também tem assistido meses seguidos de torneiras secas nas madrugadas, enquanto passou a captar água cada vez mais longe, na bacia do Rio Paraíba do Sul, desde janeiro deste ano.

O alerta atual para incêndios ocorre em paralelo a uma crise hídrica silenciosa: nota técnica do Cemaden aponta que as reservas hídricas na região Sudeste, especialmente em São Paulo, estão em níveis inferiores aos da crise de 2014–2015, período que levou à perda estimada de bilhões de reais em produtividade industrial e agropecuária. Em janeiro de 2026, o Sistema Cantareira operava com cerca de 23% do volume útil, e o Sistema Integrado Metropolitano estava na Faixa 3 de atuação, com aproximadamente 27% de reservação, cenário que tende a intensificar tanto o uso preventivo de rodízios quanto a vulnerabilidade a incêndios em áreas de transição urbano-rural.

Do ponto de vista socioeconômico, o avanço da seca e das queimadas no interior paulista afeta diretamente cadeias produtivas exportadoras, como a cana-de-açúcar e a pecuária, ao elevar custos de seguro rural, reduzir produtividade e pressionar preços de alimentos e combustíveis. Ao mesmo tempo, o ar mais seco e carregado de partículas de fumaça tem impacto mensurável na saúde pública: em anos de estiagem intensa, municípios do Oeste Paulista já registraram centenas de ocorrências de incêndios em poucos dias, acompanhadas por aumento de atendimentos por problemas respiratórios, o que sobrecarrega o SUS e amplia gastos municipais com saúde emergencial.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais