A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vai instituir o Observatório Social das Cotas para possibilitar o acompanhamento e a sistematização de dados sobre acesso, permanência e trajetória acadêmica de estudantes cotistas da universidade.
A escolha da equipe que integrará o Observatório será feita por meio de edital. Segundo o pró-reitor de Políticas e Assistência Estudantis da Uerj, Daniel Pinha, a ideia é lançar posteriormente uma nova chamada para todos os pesquisadores da universidade que queiram participar e contribuir para a iniciativa.
Pinha afirmou que há uma grande preocupação com o acesso e a permanência dos estudantes da Uerj. Na nova chamada, a intenção é articular pesquisas já existentes. A segunda chamada deve acontecer até o final deste mês.
O Observatório Social das Cotas da Uerj deverá ser instituído por uma ordem de serviço que será publicada nessa quinta-feira (11) e deve começar a funcionar nos primeiros dias de julho.
A criação do Observatório das Cotas foi definida entre a Pró-Reitoria de Políticas e Assistência Estudantis e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), presidida pela deputada Dani Monteiro, ex-aluna da Uerj.
Para a deputada Dani Monteiro, as cotas representam uma reparação para uma parcela significativa da população. Segundo ela, o Observatório das Cotas busca avançar na formulação e avaliação do que tem sido a política de cotas nas universidades.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj considera que houve avanços em relação às ações afirmativas no ensino superior. Antes das cotas, a participação racializada na universidade era muito baixa.
Na avaliação de Dani Monteiro, as ações afirmativas, como as cotas sociais e raciais, popularizaram o que deveria ser um direito do povo. Ela destacou que a universidade no Brasil, historicamente, foi para as elites e, com as ações afirmativas, o acesso mudou.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj e coautora da criação do Observatório Social das Cotas da Uerj afirmou ser inegável o sucesso da política de cotas, traduzida pela contribuição dos povos indígenas e negros.
Beneficiária da política de cotas da Uerj, Dani Monteiro conhece, na prática, o potencial transformador dessa conquista. “Precisamos chegar a 2028, quando a atual legislação estadual necessitará ser renovada, com evidências, mobilização social e compromisso institucional para ampliar esse direito”, afirmou.
