# Bolsonaro é transferido para a Papudinha no Complexo Penitenciário da Papuda
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu prisão domiciliar humanitária, alegando condições precárias na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ele cumpria prisão preventiva desde novembro do ano passado. O pedido, reforçado por declarações dos filhos de Bolsonaro que apontavam a falta de “condições mínimas de dignidade” no local, levou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes a determinar, nesta quinta-feira, a transferência imediata do condenado para o Complexo Penitenciário da Papuda.
Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa envolvida em crimes contra o Estado Democrático de Direito, incluindo a tentativa de golpe de Estado em 2023, deixou a sede da Polícia Federal rumo à chamada “Papudinha”, uma ala especial no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, integrada ao complexo prisional no Jardim Botânico. A transferência ocorreu no mesmo dia da decisão judicial, e o ex-presidente já se encontra no novo local, que abriga presos em condições diferenciadas, como autoridades e militares com direito a prisão especial por motivos de segurança.
A Papudinha, prédio reformado em 2020, possui oito celas no formato de alojamentos coletivos, com banheiro equipado com box e chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Cada alojamento tem cerca de 54 metros quadrados, além de área externa, e a unidade tem capacidade para até 60 detentos — até o início de novembro, abrigava 52 pessoas, incluindo o ex-ministro Anderson Torres, condenado na mesma trama golpista. Os presos têm acesso a itens de higiene, enxoval, roupas padronizados, televisores e ventiladores, sob fiscalização da Vara de Execuções Penais. A Polícia Militar destaca o tratamento humanizado, com apoio espiritual da capelania e preservação da integridade física, moral e psicológica dos internos.
No despacho, Moraes rebateu as queixas da defesa, afirmando que as condições na PF eram “absolutamente excepcionais e privilegiadas” em comparação a outros condenados pelo mesmo caso. Ele autorizou visitas de três horas à esposa Michelle Bolsonaro, aos filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura, e à enteada Letícia Marianna Firmo da Silva, a serem divididas entre eles. O ministro também determinou perícia médica pela Polícia Federal para avaliar a saúde de Bolsonaro e possíveis adaptações no novo ambiente antes de analisar qualquer novo pedido de regime domiciliar.
O despacho autoriza ainda assistência médica integral durante 24 horas com médicos particulares anteriormente cadastrados, deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, atendimento médico em tempo integral pelo sistema penitenciário em regime de plantão, assistência religiosa de bispo Rodovalho e pastor Thiago Manzoni, acesso a leitura, grades de proteção e barras de apoio na cama, além de instalação de aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta. Moraes rejeitou o pedido da defesa de acesso a smart TV.
A Papuda, complexo de segurança máxima localizado na região administrativa de Jardim Botânico com capacidade para 5.300 detentos, é conhecida por abrigar figuras de alto perfil em casos como Mensalão e Petrolão, apesar de histórico de superlotação e incidentes como tentativas de fuga.
