Governo e ONU têm programação alusiva a 3 anos de emergência Yanomami

# Governo e ONU marcam três anos de emergência Yanomami com ações integradas em Roraima

Passados três anos da emergência humanitária Yanomami, o governo federal e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) realizam uma série de ações em Roraima para reforçar a proteção dos povos indígenas. Nesta quinta-feira, foi inaugurado um espaço do Acnur no Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY), em Boa Vista, consolidando a cooperação entre o Estado brasileiro e organismos internacionais no atendimento a povos indígenas, migrantes e refugiados no território.

O reconhecimento da crise humanitária enfrentada pelos povos indígenas Yanomami e Ye’kwana teve início em 20 de janeiro de 2023, quando foi decretada emergência em saúde pública. Desde então, o governo federal mantém presença contínua e integrada na Terra Indígena Yanomami, implementando uma estratégia interministerial que incluiu operações de segurança para a retirada de invasores, ações de comando e controle territorial, maior fiscalização ambiental e apoio logístico às comunidades, com mais de 9 mil operações realizadas entre 2024 e 2026.

A programação para marcar os três anos da emergência inclui reuniões de avaliação, alinhamentos internos e encontros com o sistema de justiça, com a participação da Organização Internacional para Migrações e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, com visitas previstas a abrigos indígenas e não indígenas, como os pontos de atendimento da Operação Acolhida, tanto em Boa Vista quanto em Pacaraima.

O CREDHYY representa uma iniciativa estruturante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. O centro foi concebido como um espaço de atendimento especializado para acolher denúncias e demandas relacionadas a violações de direitos humanos, ampliar o acesso a serviços essenciais e orientar comunidades indígenas sobre procedimentos legais e administrativos. Sua atuação considera as especificidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos atendidos, contando com intérpretes das quatro principais línguas Yanomami para garantir a plena comunicação e o respeito às diferenças culturais.

A equipe multiprofissional do centro reúne 28 profissionais entre advogados, psicólogos, assistentes sociais, antropólogos, educadores sociais, profissionais de saúde e intérpretes, atuando tanto no atendimento direto quanto na articulação com redes locais de proteção e órgãos públicos. Suas atribuições incluem o recebimento e encaminhamento de denúncias de violações de direitos, apoio ao combate ao sub-registro civil, promoção da documentação básica, inclusão de indígenas em programas de proteção e articulação de acesso à saúde, educação, assistência social e demais políticas públicas. O centro iniciou suas atividades em agosto de 2025, e até o momento já atendeu 191 indígenas.

Além do CREDHYY, o governo federal implementou outras ações estruturantes na região. O Centro de Referência em Saúde de Surucucu, inaugurado dentro da terra indígena em setembro de 2025, já beneficiou 10 mil indígenas de 60 comunidades na região, oferecendo atendimentos ambulatoriais a 1.537 indígenas, com 71% dos casos solucionados sem a necessidade de remoção de pacientes.

Para os próximos meses estão previstas novas iniciativas. No dia 2 de fevereiro, serão inauguradas as Unidades Demonstrativas de Segurança Alimentar e Produção Sustentável da Comunidade Sikamabiu, localizada na região do Baixo Mucajaí, que abrangem iniciativas como piscicultura, bancos de sementes tradicionais, viveiro de mudas, aviário, compostagem e sistemas de fertirrigação aplicados às culturas agrícolas e aos Sistemas Agroflorestais.

Lideranças indígenas avaliaram positivamente os resultados das ações federais nos últimos três anos. Júlio Ye’kwana, presidente da Associação Wanasseduume Ye’kwana, destacou que depois de um período marcado por muita dor, mortes, destruição da floresta e invasão do território pelo garimpo, houve uma mudança real com a retirada dos invasores, trazendo alívio, proteção e esperança para o povo.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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