Apex e Congresso articulam viagem na Europa por acordo Mercosul-UE

# Brasil e Mercosul intensificam pressão pela ratificação do acordo com União Europeia

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, articulam uma missão oficial à Europa até março para ampliar a pressão política pela ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A iniciativa foi confirmada pelo presidente da Apex, Jorge Viana, em entrevista coletiva, com objetivo de combater resistências políticas no bloco europeu e acelerar um processo que se estende há mais de 26 anos de negociações.

De acordo com Viana, Alcolumbre indicou que a aprovação do acordo será a principal agenda do Congresso na retomada dos trabalhos após o recesso parlamentar. A estratégia envolve duas frentes complementares: acelerar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul para, em seguida, concentrar esforços diretamente com os europeus. A proposta inclui uma visita de parlamentares do bloco sul-americano ao Parlamento Europeu, com articulação política de alto nível. “Vamos aprovar tudo pelo lado do Mercosul e, juntos, organizar uma missão ao Parlamento Europeu. É um diálogo de presidente de parlamento para presidente de parlamento, no nível político adequado”, afirmou Viana.

Paralelamente, a Apex prepara uma ofensiva de comunicação para enfrentar resistências ao acordo e atualizar a percepção sobre o Brasil entre eurodeputados e consumidores, com foco no combate a estereótipos. A estratégia busca desconstruir uma imagem defasada do país, especialmente relacionada ao agronegócio e às agendas ambiental e social. Dados da Apex mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras, com 49,8 bilhões de dólares em 2025, atrás apenas da China, e que o agronegócio responde por apenas cerca de 23% do comércio bilateral — percentual inferior à percepção de que o acordo seria predominantemente agrícola. “A imagem do Brasil mudou e precisa ser trabalhada lá fora. Argumentos usados há quatro ou cinco anos não cabem mais no cenário atual”, destacou Viana.

Um estudo divulgado pela Apex indica que o Brasil pode ampliar exportações em 543 produtos com desgravação imediata de tarifas na União Europeia, em um mercado de 43,9 bilhões de dólares anuais. Na divisão por região, a Europa Ocidental concentra o maior número de oportunidades, com 266 produtos, seguida pela Europa Meridional com 123, Europa Oriental com 101, e Europa Setentrional com 53 tipos de mercadorias.

O esforço de pressão ocorre após o Parlamento Europeu aprovar, por margem apertada, um pedido de revisão jurídica adicional do acordo. Embora não inviabilize o tratado assinado em 17 de janeiro em Assunção, após 26 anos de negociações, a decisão cria um novo obstáculo político e tende a prolongar sua tramitação no bloco europeu por até dois anos. A resolução atendeu à pressão de parlamentares que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas e novos mecanismos de verificação — exigências que, segundo o governo brasileiro, podem comprometer o texto negociado. Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo e à atuação de lobbies agrícolas europeus contrários à entrada de produtos brasileiros.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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