Defesa de Abdeslmassih tenta novamente prisão domiciliar

# Revisão e Reescrita da Reportagem

A defesa do ex-médico Roger Abdelmassih, de 82 anos, condenado a 173 anos de prisão por 49 estupros de pacientes, protocolou novo pedido para que ele cumpra pena em prisão domiciliar. O requerimento é analisado pela juíza Sueli Armani, da Delegacia Estadual de Defesa da Mulher, Criança e Idoso (DEECRIM 9ª) de São José dos Campos, que determinou a realização de um novo laudo médico-pericial para avaliar o atual estado de saúde do sentenciado.

Abdelmassih, pioneiro na fertilização in vitro no Brasil, foi preso em 2014 no Paraguai, onde vivia com a esposa Larissa Maria Sacco Abdelmassih, sua advogada e ex-procuradora da República, 36 anos mais jovem, com quem tem filhos gêmeos. Após ser capturado em Assunção, próximo à escola dos filhos, foi extraditado e inicialmente levado à Penitenciária II de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”, no interior paulista.

Em 19 de dezembro de 2025, o condenado foi transferido para a Penitenciária II de Potim, também no Vale do Paraíba, como parte de uma estratégia do governo de São Paulo para dispersar detentos de alta repercussão de Tremembé. A defesa alega que Abdelmassih sofre de problemas cardiovasculares graves, incluindo cardiopatia isquêmica, hipertensão, insuficiência cardíaca com risco de morte súbita, além de estar em tratamento de câncer na próstata. Conforme os advogados, o sistema prisional não oferece estrutura adequada para atendimentos médicos complexos.

Não é a primeira vez que a defesa busca esse benefício. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal concedeu prisão domiciliar, mas o benefício foi revogado em 2019 por suspeita de inconformidade nas declarações de saúde. Em 2020, Abdelmassih novamente obteve prisão domiciliar por pertencer ao grupo de risco da covid-19, benefício que foi revogado em julho de 2021. Em 2023, a Justiça negou novo pedido de prisão domiciliar humanitária, argumentando que recebia todos os cuidados médicos necessários na penitenciária.

O novo exame médico, autorizado em 21 de janeiro, será custeado pela defesa ou, na falta de recursos, realizado pelo Instituto Médico Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC). A data da perícia ainda não foi definida.

O caso de Abdelmassih ganhou notoriedade após denúncias de mais de 70 mulheres, pacientes de sua clínica de reprodução assistida em São Paulo, que o acusaram de estupros e atentados violentos ao pudor. Inicialmente sentenciado a 278 anos em 2010, a pena foi ajustada para 173 anos, embora a lei brasileira limite o cumprimento efetivo a 30 anos.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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