Com 8,9 mil quilômetros quadrados, a ilha de Porto Rico, terra natal do cantor Bad Bunny, possui um status político ambíguo. Oficialmente, é um território dos Estados Unidos no Caribe, com cerca de 3,2 milhões de habitantes, onde predominam o idioma espanhol e a cultura latino-americana.
Embora os porto-riquenhos tenham livre trânsito nos EUA e possam eleger o governador da ilha, Porto Rico não é um estado americano. Por isso, os eleitores não podem votar para presidente e não têm representantes com direito a voto no Congresso dos EUA. No entanto, a ilha deve se submeter às leis federais e seus habitantes servem às Forças Armadas dos EUA, abrigando bases militares de Washington sem participar das relações internacionais.
Essa condição faz com que especialistas e movimentos políticos considerem Porto Rico uma colônia de Washington, e não um ‘Estado livre associado’, termo oficial para descrever a situação jurídico-política do território. Para as Nações Unidas, a autonomia administrativa impede que Porto Rico seja classificado como uma colônia clássica, conforme explicou Gustavo Menon, professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília.
No domingo (9), Bad Bunny apresentou-se no Super Bowl em São Francisco, EUA, com um show em espanhol, enaltecendo as culturas latino-americanas. Conhecido crítico da política anti-imigração do então presidente Donald Trump, o cantor usou o slogan ‘Deus abençoe a América’, para pedir bênçãos a todas as nações americanas. A apresentação irritou Trump, que a classificou como ‘absolutamente terrível’.
Bad Bunny destacou a defesa da cultura latina de Porto Rico e criticou a influência dos EUA na ilha, mencionando o exemplo do Havaí, que se tornou um estado americano, mas perdeu sua identidade indígena. Porto Rico, que nunca foi independente, foi declarado ‘Estado Livre Associado’ em 1952, ganhando autonomia administrativa interna.
A ONU não considera Porto Rico uma colônia formal desde 1952, mas o Comitê Especial sobre Descolonização classifica a ilha como um caso de ‘situação colonial’. Segundo Koussay Aldahhak, a dominação é exercida pela imposição de uma estrutura de governo civil sob leis dos EUA. O Congresso americano detém plenos poderes sobre Porto Rico, enquanto a ilha tem autoridade local limitada.
Desde 1967, Porto Rico realizou sete referendos consultivos sobre seu status político. No último, em 2024, 58% votaram para se tornar um estado dos EUA. No entanto, essas consultas não têm efeito prático, pois não são reconhecidas como vinculantes pelo Congresso estadunidense.
