O senador paraibano Efraim Filho (União Brasil) esteve presente, nesta terça-feira (19), em uma reunião reservada convocada pelo PL na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu a aliados que voltou a se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão dele — quando o empresário já se encontrava sob monitoramento eletrônico. O encontro, realizado a portas fechadas no Congresso Nacional, reuniu alguns dos nomes mais influentes da direita e revelou o nível de tensão interna gerado pelo caso.

Daniel Vorcaro, presidente do banco Master, tornou-se figura central em uma das maiores polêmicas do campo conservador nos últimos meses. Ele é apontado como possível financiador do filme “Dark Horse”, produção que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra, que ainda busca distribuição, gerou controvérsia ao associar o nome do banqueiro preso ao universo bolsonarista.
A relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro passou a ser monitorada de perto pela imprensa e por adversários políticos após revelações sobre contatos mantidos mesmo depois da prisão do banqueiro. Segundo O Globo, que relatou os bastidores da reunião, a situação tem gerado desconforto crescente entre parlamentares aliados, preocupados com os possíveis desdobramentos judiciais e eleitorais do caso.
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro tentou controlar os danos e tranquilizar os presentes. Segundo relatos de parlamentares que participaram da reunião, ele afirmou que “não há mais nada” a ser revelado além do que já veio a público sobre seu vínculo com o banqueiro. A declaração, contudo, teve efeito contrário ao esperado: a confirmação de que ele de fato manteve contato com Vorcaro mesmo após a prisão ampliou a apreensão nos bastidores.
O clima do encontro foi marcado por cobranças internas. Parlamentares presentes questionaram Flávio sobre os riscos políticos da situação e expressaram receio de que novos vazamentos possam surgir, agravando ainda mais o desgaste. A reunião serviu também como espaço para avaliar os impactos sobre a pré-campanha presidencial do senador, que vem construindo sua candidatura para 2026 com o apoio do campo bolsonarista.
Além de Efraim Filho, participaram da reunião nomes de peso do cenário político nacional: o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto — figura central na articulação da direita desde o governo Bolsonaro —; o coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho; os líderes parlamentares Sóstenes Cavalcante e Carlos Portinho; o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes; e o senador Sérgio Moro, que mantém posição ambígua dentro da direita brasileira após o rompimento com Bolsonaro.
A composição da reunião indica que o caso já ultrapassou a esfera pessoal de Flávio Bolsonaro e se tornou uma preocupação coletiva da cúpula conservadora, especialmente diante da proximidade das eleições e do início formal das articulações para 2026.