A criação de novas carteiras de investimentos para captar dinheiro no mercado pelo Banco Master, em meio à crise de liquidez da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, chamou a atenção do Banco Central (BC) sobre possíveis irregularidades na gestão do banco. A informação foi dada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante uma audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Liquidez bancária refere-se à capacidade de um banco ter dinheiro disponível para pagar suas dívidas no curto prazo. Galípolo explicou aos senadores que, em situações de dificuldade de liquidez, é incomum formar novas carteiras de investimentos, o que levantou suspeitas imediatas no BC.
O presidente do BC defendeu a atuação da autoridade monetária no caso do Master, que é acusado de fraudes bilionárias no sistema financeiro. Em novembro de 2024, foi assinado um termo de compromisso com o Master, que teria seis meses para adequar suas ações em termos de governança, capital e liquidez.
O Banco Master tentou captar recursos no mercado com garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC), mas enfrentou restrições. Em seguida, buscou captar recursos de fundos de investimento sem sucesso. O banco intensificou a venda de carteiras, especialmente para o Banco Regional de Brasília (BRB), que está sob investigação por suspeita de fraude em cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos.
A partir de janeiro de 2025, o Master começou a formar novas carteiras de investimentos em meio a problemas de liquidez, levando o BC a criar um grupo específico para analisar essas carteiras. A liquidação extrajudicial do Banco Master ocorreu em 18 de novembro de 2025, após a tentativa de compra pelo BRB ter sido negada.
Antes da liquidação, o Banco Master propôs uma solução envolvendo supostos investidores árabes, que não foram conhecidos pelo presidente do BC. Galípolo afirmou que o banco reconheceu não ser mais viável e propôs uma autoliquidação, mas sem detalhes sobre os investidores.
O presidente do Banco Central reiterou que a liquidação do Banco Master não representava um risco sistêmico para o mercado financeiro, já que a instituição correspondia a menos de 0,5% do sistema bancário. Ele destacou que a liquidação não é uma punição aos gestores, mas sim uma medida necessária devido à situação da instituição.
