Tensão no Estreito de Ormuz após ataques mútuos entre EUA e Irã

Um navio-tanque relatou ter sido atingido por um projétil no Estreito de Ormuz neste sábado (27), conforme informou a agência de segurança marítima britânica. Este incidente ocorre após uma série de ataques mútuos entre os Estados Unidos e o Irã, na pior escalada desde a assinatura de um acordo preliminar de paz.

As partes em conflito acusam-se mutuamente de violar o acordo alcançado há duas semanas para encerrar um conflito de quatro meses. Washington afirmou ter atacado alvos iranianos durante a madrugada, enquanto o Irã declarou ter retaliado com ataques a alvos ligados às forças norte-americanas neste sábado.

O ataque ao petroleiro no Estreito seguiu-se a um incidente semelhante contra um navio de carga na quinta-feira (25), intensificando a situação. O Irã tenta reafirmar seu controle sobre essa rota crucial de transporte de energia, que estava sendo reaberta após meses de interrupção.

A agência de segurança marítima britânica UKMTO informou que o petroleiro sofreu danos na ponte de comando, mas toda a tripulação está em segurança. O Centro Conjunto de Informações Marítimas elevou o nível de ameaça à segurança devido aos recentes incidentes.

O Irã não comentou diretamente os ataques a navios, mas a televisão estatal informou que a Guarda Revolucionária disparou “tiros de advertência” contra embarcações que tentavam passar por canais não aprovados pelo Irã. Isso levou outros navios a solicitarem autorizações iranianas antes de atravessar o Estreito.

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ter realizado ataques “defensivos” contra alvos militares dos EUA. O Barein, que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, relatou um ataque com drones iranianos, enquanto as Forças Armadas dos EUA não responderam imediatamente aos relatos.

O Irã acusou os Estados Unidos de não cumprirem o acordo provisório, especialmente por não manterem o cessar-fogo prometido no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, invadiu em março em busca do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Israel e o Líbano concordaram repetidamente com cessar-fogos mediados pelos EUA, mas esses acordos tiveram impacto limitado. Israel insiste que não se retirará de uma área ocupada, enquanto o Hezbollah rejeita entregar suas armas.

A televisão estatal libanesa noticiou um ataque com drone israelense no sul do Líbano neste sábado. As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atacado uma pessoa que representava uma ameaça.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o acordo entre Israel e o Líbano, chamando-o de rendição e afirmando que era “nulo e sem efeito”. Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, acusou Washington de violar o acordo ao apoiar “forças proxy” e criar tensões no Estreito de Ormuz.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, principal negociador no conflito, afirmou que os norte-americanos respeitaram o cessar-fogo e que o Irã seria responsável por qualquer retomada do conflito. Ele declarou que “a violência será respondida com violência” em uma postagem no X.

Como tem ocorrido ao longo da guerra, a escalada se intensificou no fim de semana, enquanto os mercados estão fechados, permitindo que as partes assumam posições rígidas e troquem ataques sem impacto imediato nos preços do petróleo. Antes da retomada da violência, os preços do petróleo caíram cerca de 3% na sexta-feira, indicando uma queda acentuada na semana.

Fonte: Agência Brasil

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