O Fundo Rio Doce, criado para garantir ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão em Mariana, 2015, liberou R$ 75,8 milhões para novos projetos nos últimos três meses.
O anúncio foi feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante um evento no Museu de Mariana. Os recursos, liberados desde fevereiro, são destinados a sete projetos, com destaque para o Florestas Produtivas com Barraginhas, que recebeu R$ 23,6 milhões.
Este projeto visa implantar 1,4 mil hectares de florestas produtivas, além de construir 4,2 mil barraginhas para captar água da chuva. Também oferecerá assistência técnica rural e capacitação para 4.650 unidades produtivas, com previsão de receber R$ 100,89 milhões nos próximos anos.
Responsável pelo projeto, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, através da Anater, implantará sistemas agroflorestais para recompor ecossistemas degradados. A gerente Adriana Aranha destaca os benefícios climáticos e produtivos da iniciativa.
Outro projeto, o Rio Doce Semear Digital, recebeu R$ 19,1 milhões para levar tecnologia digital ao campo, com centros de inovação em Governador Valadares, Raul Soares, Caratinga e Colatina.
Além dos quase R$ 80 milhões, o BNDES desembolsou parcelas do Programa de Transferência de Renda, que já somam R$ 950 milhões, beneficiando pescadores e agricultores.
O rompimento da barragem, em 2015, resultou em 19 mortes e impactos ambientais significativos. A barragem pertencia à Samarco, uma joint venture entre a Vale e a BHP Billiton, que enfrenta processos judiciais no Brasil e no Reino Unido.
Um acordo de reparação foi firmado em 2016, criando a Fundação Renova, mas insatisfações levaram a um novo acordo em 2024, extinguindo a Renova e estabelecendo um valor total de R$ 170 bilhões em ações de reparação.
O BNDES, responsável pela administração dos recursos ao longo de 22 anos, já recebeu R$ 6,4 bilhões da Samarco, com o comitê gestor aprovando R$ 8,4 bilhões em projetos até agora.
