Vitória Miranda, mineira de Belo Horizonte com apenas 18 anos, fez história ao ser eleita a melhor jogadora júnior de tênis em cadeira de rodas da temporada 2025 pela Federação Internacional de Tênis (ITF). É a primeira vez que uma brasileira conquista o Prêmio Júnior do Ano, criado pela entidade em 2020 para reconhecer não só o desempenho em quadra, mas também a conduta exemplar fora dela.
A ITF, responsável por regular a modalidade e organizar torneios juvenis, seniores, Grand Slams, Copa Davis e Billie Jean King Cup, destacou o ano avassalador de Vitória. Em 2025, ela acumulou 10 títulos em simples e oito em duplas no circuito júnior. Os feitos mais expressivos vieram nos Grand Slams: no Aberto da Austrália e em Roland Garros, a atleta emplacou dobradinhas, vencendo tanto em simples quanto em duplas. No Parapan de Jovens de Santiago, no Chile, ela brilhou com duas medalhas de ouro, uma em simples e outra em duplas mistas ao lado de Luiz Calixto.
No circuito adulto, Vitória também se impôs, faturando títulos de simples nos ITFs Future Series de São Paulo, Uberlândia (MG), Caldas Novas (GO) e Barranquilla, na Colômbia. Esses resultados a impulsionaram para o top 20 do ranking mundial feminino adulto e para a liderança do ranking nacional. Em dezembro, ela já havia sido premiada como melhor atleta de tênis pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em São Paulo.
“Sinto muita gratidão; não há nada melhor do que encerrar meu último ano como júnior com este reconhecimento internacional. Minhas melhores lembranças de 2025 foram o título de simples no Aberto da Austrália, entrar no top 20 do ranking mundial feminino adulto, ser campeã sul-americana, jogar com grandes jogadoras e evoluir como pessoa – principalmente como atleta”, declarou a tenista ao site oficial da ITF.
Além das conquistas técnicas, a premiação considerou o impacto social de Vitória. A ITF elogiou suas palestras motivacionais em escolas e eventos comunitários, onde compartilha sua trajetória no tênis em cadeira de rodas, destacando acessibilidade, perseverança e empoderamento para pessoas com deficiência. “Ela inspira outros a acreditarem no esporte como um caminho para a transformação”, exaltou a entidade.
Na categoria masculina, o australiano Jim Woodman, de 16 anos, levou o prêmio após subir 12 posições no ranking de simples, do 20º para o 8º lugar. Agora, com a transição para o profissional em 2026, Vitória mira as chaves principais dos Grand Slams e uma medalha paralímpica, conciliando treinos intensos com estudos superiores, após concluir o ensino médio. Sua ascensão consolida o tênis em cadeira de rodas brasileiro como referência global.
