Estudantes se mobilizaram em protesto contra o aumento das tarifas de transporte público no centro de São Paulo, enfrentando chuva intensa no final da tarde e início da noite desta quarta-feira. O ato, convocado pelo Movimento Passe Livre e entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes, União Estadual dos Estudantes, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e União Paulista de Estudantes Secundaristas, partiu da Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, e seguiu até a prefeitura, no Viaduto do Chá.
Bianca Borges, membro da União Nacional dos Estudantes, destacou a tradição do movimento estudantil paulista de iniciar o ano nas ruas contra reajustes tarifários e em defesa do passe livre estudantil. “Esse é mais um ato que se soma à tradição que o movimento estudantil aqui no estado de São Paulo tem de iniciar o ano sempre ocupando as ruas em reação ao aumento da tarifa no transporte público. Também ocupamos as ruas em defesa de uma conquista histórica nossa, que foi o passe livre estudantil. Esse direito tem sofrido uma série de ataques, mas sabemos que ele é um elemento fundamental para a permanência dos estudantes na universidade”, afirmou ela durante o protesto.
Os manifestantes criticam o reajuste recente nas passagens de ônibus, de R$ 4,40 para R$ 5, anunciado pela prefeitura de Ricardo Nunes, e no metrô e trens, de R$ 5 para R$ 5,20, sob responsabilidade do governo estadual de Tarcísio de Freitas. Líderes como Julia Monteiro, presidente da União Paulista de Estudantes Secundaristas, apontam para a piora na qualidade do serviço – com veículos lotados, sem ar-condicionado e bancos quebrados – em meio a um cenário de desigualdades sociais agravadas. “O aumento da tarifa significa mais um empecilho na vida da classe trabalhadora, um dinheiro a menos no final do mês”, criticou ela, enfatizando o descontentamento com a falta de políticas públicas.
Hugo Silva, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, reforçou que os protestos visam pressionar por passe livre para todos e avançar na pauta da tarifa zero, já implementada em mais de 100 municípios brasileiros, incluindo cidades populosas como Caucaia, no Ceará, e Maricá, no Rio de Janeiro. “É inadmissível no tempo em que temos um transporte público totalmente sucateado. Só quem sente a diferença que estes centavos fazem no bolso são os trabalhadores, em especial os jovens e estudantes”, disse ele, prevendo atos crescentes com maior participação popular.
A mobilização faz parte de uma série de protestos desde o início do ano, com atos anteriores em frente à prefeitura no dia 9 e novo chamado para esta quinta-feira, às 17 horas, novamente em frente ao Theatro Municipal. Apesar da chuva e do forte aparato policial, com presença de Tropa de Choque, Força Tática e Batalhão de Ações Especiais de Polícia, os estudantes mantêm a pressão contra o que consideram um direito social básico violado, ecoando as jornadas de 2013 que paralisaram o país contra aumentos semelhantes.
