# Raul Jungmann deixa legado de mais de cinco décadas na política brasileira
O ex-ministro Raul Jungmann faleceu no domingo, 18 de janeiro, aos 73 anos, vítima de câncer de pâncreas. Durante sua trajetória de mais de 50 anos na política, exerceu diversos cargos públicos em gestões de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, além de mandatos como deputado federal e vereador.
Nascido em Recife em 3 de abril de 1952, Jungmann iniciou sua militância política na juventude, filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Participou ativamente do movimento das Diretas Já, que reivindicava a redemocratização do país. Sua carreira política se estendeu entre diferentes espectros ideológicos e instituições.
Na década de 1990, ocupou posições estratégicas no governo federal. Entre 1993 e 1994, atuou como secretário-executivo do Ministério do Planejamento. Em seguida, presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 1995 a 1996. A partir de 1996, assumiu o Ministério Extraordinário de Política Fundiária, transformado em 1999 no Ministério do Desenvolvimento Agrário, cargo que manteve até 2002.
Sua atuação parlamentar compreendeu três mandatos como deputado federal por Pernambuco, nos períodos de 2003-2006, 2007-2010 e 2015-2018. Durante sua passagem pela Câmara dos Deputados, foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou esquema de corrupção envolvendo compra de ambulâncias. Também liderou a Frente Brasil Sem Armas durante o referendo de 2005 sobre comercialização de armas de fogo. Em 2012, foi eleito vereador do Recife com quase 12 mil votos.
No governo Michel Temer, retornou ao alto escalão, assumindo o Ministério da Defesa em 2016. Em 2018, foi nomeado para o Ministério da Segurança Pública. Em seu discurso de posse nesta pasta, defendeu que a atuação das polícias fosse igual para toda a população. Após deixar o ministério, trabalhou como presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cargo que exerceu até sua morte.
A notícia de seu falecimento gerou manifestações de políticos de diversos espectros. O ex-presidente Michel Temer afirmou que “por onde passou deixou sua marca”. Paulo Teixeira, atual ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, destacou sua “longa trajetória na política brasileira” e sua participação em espaços de consulta no ministério. Ministros do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, também se pronunciaram, ressaltando sua integridade e compromisso democrático.
O senador Randolfe Rodrigues descreveu Jungmann como “um dos mais capacitados e éticos homens públicos”, enquanto o governador do Rio Grande do Sul, Marcelo Leite, lamentou a perda de um “homem público de trajetória marcante”. O Cidadania, último partido ao qual Jungmann foi filiado, divulgou nota oficial reconhecendo sua dedicação ao Brasil e seu compromisso democrático.
Jungmann foi internado em novembro e recebeu alta em dezembro, mas retornou ao hospital próximo ao Natal. Recebeu alta após o ano novo, porém foi internado novamente no sábado, 17 de janeiro, vindo a falecer no dia seguinte devido às complicações da doença. O velório ocorreu em Brasília, restrito a parentes e amigos próximos.
