O mercado financeiro brasileiro registrou um dia histórico nesta quarta-feira (21), com o Ibovespa alcançando patamares inéditos acima dos 171 mil pontos e o dólar comercial despencando para o menor nível em mais de um mês. O principal índice da B3 fechou aos 171.817 pontos, após uma alta de 3,33%, marcando a maior valorização diária desde abril de 2023[2][3][6]. Durante o pregão, o indicador superou pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos, com oscilações entre a mínima de 166.277,91 pontos na abertura e a máxima intradia de 171.969,01 pontos[1][3][5]. O volume financeiro atingiu R$ 43,3 bilhões[4][6].
O movimento de alta ganhou força especialmente à tarde, acompanhando a recuperação dos índices em Wall Street, onde o S&P 500 avançou mais de 1%[4][6]. O principal catalisador foi o recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a um discurso mais agressivo sobre tarifas comerciais e disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia. Trump anunciou um arcabouço para um possível acordo na região ártica, descartando o uso da força e a imposição imediata de tarifas à União Europeia[3][4][6].
No câmbio, o dólar à vista caiu 1,1%, encerrando cotado a R$ 5,321, após operar em baixa ao longo de todo o dia e intensificar o recuo no fim das negociações[2]. A moeda americana acumula desvalorização de 3,06% em 2026 e está no menor patamar desde 4 de dezembro, véspera do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Esse desempenho ocorreu com o enfraquecimento global do dólar frente a divisas emergentes, redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e migração de recursos para ativos de risco em economias como a brasileira.
O fluxo estrangeiro registrou entrada líquida de R$ 7,6 bilhões no Ibovespa até meados de janeiro, elevando a alta acumulada do índice para 6,6% no ano[4][6]. Dados do Banco Central revelam entrada líquida de US$ 1,54 bilhão no país até 16 de janeiro, majoritariamente via investimentos financeiros[4][6]. Questões geopolíticas globais, como tensões entre EUA e Europa, impulsionaram a saída de capitais de mercados desenvolvidos para emergentes. Juros mais baixos nos EUA ampliaram a oferta de dólares no mercado doméstico, favorecendo a valorização do real.
Entre as ações, blue chips como Itaú Unibanco, que subiu 4,38% para máxima histórica de R$ 41,67, Vale, com alta de cerca de 3%, Petrobras, avançando quase 4%, e bancos como Bradesco e BTG Pactual lideraram os ganhos, representando metade do peso teórico do Ibovespa[1][3]. Destaques positivos incluíram Cogna, com salto de 10,96%, e Yduqs, subindo 8,91%, impulsionadas por análises otimistas sobre eficiência operacional[5][7]. Apenas poucas ações, como TIM, Gerdau e Metalúrgica Gerdau, fecharam em baixa.
A liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, decretada pelo Banco Central, chamou atenção, com o Fundo Garantidor de Crédito atuando para proteger credores.
