O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, negou veementemente ter recomendado ao Banco de Brasília (BRB) a compra de carteiras de créditos fraudados do Banco Master. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, ele colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e os registros completos das conversas trocadas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo para fins de investigação.
O posicionamento surge em resposta a uma reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada no jornal O Globo, que revelou mensagens atribuídas a Aquino pedindo a Costa a aquisição de milhões de reais em créditos do Master. De acordo com a matéria, essas trocas foram apresentadas em reunião do conselho do BRB em 25 de março de 2025, o que levou à aprovação unânime da compra de R$ 270 milhões em créditos, além de uma oferta inicial por 58% das ações do Master, avaliada em R$ 2 bilhões – oferta que depois foi reduzida a 22%, mas vetada pelo próprio Banco Central.
O Banco Central defendeu a conduta de seu diretor. A nota destaca que a área de Supervisão, sob comando de Aquino, foi responsável por identificar as inconsistências nas operações do Master, promover investigações rigorosas que comprovaram a insubsistência dos ativos das carteiras e iniciar a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, com documentação e análises técnicas detalhadas. Além disso, o setor aplicou medidas para proteger a saúde financeira do BRB e foi Aquino quem propôs à Diretoria Colegiada a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, concretizada em 18 de novembro de 2025, em meio a suspeitas de fraude na ordem de R$ 12 bilhões.
A autarquia reforçou seu papel regulatório: cabe ao Banco Central acompanhar transações entre instituições financeiras para garantir a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e proteger os clientes, mas a análise da qualidade dos créditos adquiridos é responsabilidade exclusiva de cada banco, que deve manter controles internos para gerenciar riscos. Em novembro de 2025, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, controlador do Master, e outros seis executivos por envolvimento nas fraudes, enquanto a Justiça afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB.
O BRB foi procurado para se manifestar sobre o caso, mas até o momento não respondeu. O episódio ganha contornos adicionais com desdobramentos judiciais: técnicos do Banco Central questionam a convocação de Aquino para uma acareação no Supremo Tribunal Federal entre Vorcaro e Costa, decidida pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso em sigilo. O STF esclareceu que Aquino não é investigado, e a autarquia vê na atuação de seu diretor uma busca por soluções para a crise do Master – como aportes e vendas frustradas – culminando na liquidação proposta por ele.
