A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira (20) que está acompanhando com atenção e cautela os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas sobre produtos importados, que haviam sido impostas globalmente pelo presidente Donald Trump.
Segundo a entidade, um levantamento baseado em dados de 2024 do United States International Trade Comission (USITC) indicou que a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% impostas a produtos brasileiros poderia impactar US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou em nota que o impacto no comércio brasileiro é significativo, dada a importante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte derruba tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa), mas outras tarifas, como as da seção 232 da Trade Expansion Act relacionadas a segurança nacional, ainda permanecem.
A indústria do café, fortemente impactada pelas taxações, celebrou a decisão. Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), destacou que a decisão reforça a segurança jurídica nas relações comerciais internacionais. Ele ressaltou que medidas unilaterais podem gerar incertezas e impactos ao longo da cadeia produtiva.
Outros setores, como o plástico e o pescado, também receberam bem a decisão. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) afirmou que a decisão elimina parte da imprevisibilidade no ambiente comercial recente. No entanto, a associação continuará acompanhando os desdobramentos, especialmente após o anúncio de uma nova tarifa global de 10% pelo presidente Donald Trump.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) expressou otimismo com a decisão, destacando a oportunidade de ampliar a presença no mercado norte-americano. A Abipesca projeta um aumento significativo nas exportações de pescados para os Estados Unidos, com impacto positivo na cadeia produtiva da tilápia.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também está acompanhando a decisão com cautela. A associação ressaltou a importância do diálogo e regras claras no comércio internacional, destacando que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados.
